Jornalismo na TV em 2019; ano termina como um dos mais movimentados nos últimos tempos

Publicado há 9 meses
Por Renan Vieira
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A televisão brasileira passou a entender melhor em 2019 que o jornalismo é, de fato, um dos caminhos para se obter o maior número de pessoas sintonizadas. A audiência passou a mostrar mais interesse pelos fatos sendo cobertos em tempo real, mesmo na TV aberta. De maneira que não é exagero afirmar que, por esse e outros motivos, o jornalismo na TV em 2019 fez do ano um dos mais movimentados dos últimos tempos no setor.

O público viu a Globo, por exemplo, derrubando a programação
para cobrir ao vivo a tragédia de Brumadinho ou a morte do cantor Gabriel Diniz.
Algo impensável há alguns anos, quando a grade era muito mais rígida e o
suprassumo do jornalismo era, de fato, o noticiário central da faixa das 20h.

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Essa nova realidade do jornalismo por aqui, já tradicional na televisão americana, fez com que o próprio SBT, que tem fama de investir pouco no seu departamento de notícias, modificasse a sua programação. Se por um lado tirou das madrugadas o SBT Notícias, por outro, consolidou sua vice-liderança pelas manhãs, com o imediatismo do Primeiro Impacto.

Dudu Camargo e Marcão do Povo apresentando o Primeiro Impacto no SBT (Divulgação)

O canal de Silvio Santos passou a ter o jornalismo mais visto fora da Globo, algo, completamente, surpreendente pela falta de tradição, inclusive em eventos ao vivo. O SBT Brasil, por exemplo, o noticiário central do canal, passou boa parte do ano à frente de todos os jornais da Record.

Tem grana, mas não sabe investir

Por falar da emissora da Barra Funda, é preciso dizer que o ano foi lamentável para um canal de tamanha envergadura, com uma capacidade de investimento invejável no Brasil. A Record perdeu a vice-liderança de seu jornalismo e atrações, como o Domingo Espetacular, deixaram de vez de repercutir.

O Jornal da Record, produto mais caro do departamento, não chamou a atenção, nem mesmo com entrevistas exclusivas e preparadas para melhorar a imagem do presidente Jair Bolsonaro. Observando essa falência de seus jornalísticos, a emissora decidiu inovar. A marca Jornal da Record passou a ter outras aparições – ilógicas, do ponto de vista prático – na programação.

Com isso, edições menores e mais dinâmicas do noticiário foram exibidas de manhã, de tarde e no fim de noite. O jornal central ganhou novo cenário e novo pacote gráfico. Superiores aos anteriores, não impressionaram o mercado, apesar da alta expectativa criada pelo marketing da emissora. O noticiário também seguiu o mesmo formato: engessado, pesado e focado tragédias locais.

Ninguém viu, só ouviu falar da Band em matéria de jornalismo na TV

Rafael Colombo e Cynthia Martins no Band Notícias (reprodução)

Sem Ricardo Boechat, no Jornal da Band, a emissora passou a ter quase que irrelevância com seus noticiários. Apesar da tradição, não há nada memorável ou que chame, de fato, a atenção. O canal, no entanto, se esforçou e lançou um jornal na faixa das 22h e programou boletins com pegada jovem ao longo da programação.

Enquanto isso, no jornalismo da RedeTV!, o mais interessante foi o noticiário sobre o seu próprio departamento. Com audiências baixíssimas, mal se ouviu falar do RedeTV News. Por isso, o melhor foi acompanhar as surpreendentes proibições de hora extra e o fim de plantão no final de semana.

Luz no fim do túnel na TV paga?

Em termos de jornalismo na TV, entre os canais pagos a Globo News cansou com seus noticiários longos e repetitivos. E seus 200 comentaristas contratados para endossar um ao outro. A Band News, apesar da repaginada, segue com baixo orçamento, também repetitiva e pouco atrativa. Da Record News, lamentavelmente, ninguém ouviu falar. Nem mesmo uma esperada reformulação ocorreu.

Douglas Tavolaro, CEO da CNN Brasil (Divulgação)

A maior notícia do ano, no entanto, foi o anúncio da montagem da CNN Brasil. O canal de notícias mais famoso dos Estados Unidos ganhou uma versão nacional. A ideia é de que o mercado brasileiro anseia por uma alternativa à Globo News, que nada de braçada nas coberturas noticiosas e pouco mostra o contraditório para o telespectador. Embora sua estreia tenha sido adiada algumas vezes – ficou para 2020 -, a CNN Brasil tem despertado expectativa.

A CNN Brasil mexeu com o mercado de jornalismo como há muito não se via, já que investiu em uma grande estrutura e contratou nomes importantes para os bastidores e o vídeo. São profissionais que estavam trabalhando na Record, SBT, TV Cultura e até mesmo na Globo, como a apresentadora Monalisa Perrone, que ganhou status de estrela.

Apesar das movimentações, ainda há muita coisa trash no jornalismo na TV

No geral, por conta dessa movimentação e de mais transmissões ao vivo, valorizando o fato em tempo real, apesar dos exageros e sensacionalismo, a televisão brasileira teve um ano dos mais movimentados. Embora pouco tenha sido visto em termos de de frescor, de qualidade fora da Globo, que sempre faz eficientemente o seu feijão com arroz e garante de longe sua liderança.  

Diferentemente do que acontece no exterior, no Brasil, o mercado depende muito da Globo. Se a emissora carioca fizer algo novo, todos fazem depois, com atraso. Um exemplo? Os noticiários matinais fora da emissora passaram a focar no ao vivo, no clima, no trajeto para o trabalho depois que o Bom Dia Praça passou a fazê-lo. E, quando diz que vai inovar, fica só na propaganda, como o tal “novo Jornal da Record”.

O telespectador ainda precisou lidar com o fato de existirem Cidade Alerta, Primeiro Impacto, Brasil Urgente, Balanço Geral e aqueles noticiários locais que cobrem barbáries com o intuito de chocar e subir a audiência. Apesar das emissoras e seus apresentadores seguirem dizendo que não fazem sensacionalismo, ainda, em 2019 soubemos o que é jornalismo e o que é show.

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