Jornais matinais da Record e SBT acordam o espectador na base do grito

Publicado em 22/06/2017

Há alguns anos, os jornais matinais costumavam ser os mais interessantes da grade da TV aberta. As pautas eram tranquilas, a condução era feita de maneira contemplativa, e tudo andava num ritmo gostoso, próprio do horário em que o espectador está acordando e iniciando o seu dia. Bom Dia Brasil, da Globo, se mantém assim até hoje. A primeira versão do Fala Brasil, da Record, era tão descontraída que seus apresentadores batiam papo no ar, sempre de maneira elegante.

Mas, ao que tudo indica, a ordem atual nas emissoras é fisgar o espectador no grito, logo cedo, principalmente na Record e no SBT. Esta última lançou o Primeiro Impacto como um jornal mais sossegado, apresentado por Joyce Ribeiro e Karyn Bravo. A atração não emplacou de cara, e Silvio Santos interveio, entregando o jornal a Dudu Camargo e Marcão do Povo. Hoje, a atração é conduzida com as “gracinhas” de Dudu, que fala sempre com a voz artificialmente empostada, e Marcão do Povo, que faz o estilo apresentador de jornal policial gritalhão. É para acordar o espectador na base do susto, mesmo!

Isso sem falar nas pautas, que deixaram de focar política, prestação de serviços e assuntos mais amenos, para pegar pesado na pauta policial. Nesta área, a Record nada de braçadas com seu Balanço Geral Manhã, que já abre a programação da emissora trazendo sangue e tragédia. Como ter um bom dia depois de ver tanta coisa ruim logo cedo?

É uma pena que estas emissoras insistam em confundir programação popular com gritaria e sangue. Veja a Globo, que também modificou a apresentação de seus jornais matinais fazendo-os mais informais e conversados, mas sem descambar para a apelação. Hora 1 e Bom Dia São Paulo são bons exemplos disso. No entanto, SBT e Record preferiram pegar o caminho da audiência fácil. Triste.

Leia também:

Imediatismo do SBT prejudica somente a emissora

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.