João Emanuel Carneiro merece respeito 

Publicado há 3 anos
Por André Romano
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A grande dama de nossa teledramaturgia, Fernanda Montenegro, tem uma frase que eu acho fantástica: “A glória e seu cortejo de horrores”, a citação é tão emblemática que virou título do livro de sua filha, Fernanda Torres. Quando pensei em escrever sobre o grande e multifacetado João Emanuel Carneiro, essa frase de Fernanda Montenegro ficou me atormentando horas, pois ela diz tudo do que aconteceu na vida desse grande dramaturgo brasileiro.

Ele revolucionou o modo de se fazer telenovela no Brasil, com a sua Avenida Brasil, e, após um período, foi criticado por muitos por seu último trabalho, a novela A Regra do Jogo. Acho que é de uma injustiça sem igual. Ninguém sabe o trabalho que é criar (escrever) e manter uma novela no ar. E do nada, um pseudointelectual sentar à frente de um computador e denigrir o profissional. Por que eu digo isso? João Emanuel sabe o que está fazendo. Ele escreve com alma e, é sempre guiado por seu coração. Isso fica nítido em seus personagens. Todas as suas criações tem alma, não são uma coisa só.

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Um exemplo clássico é a a Nina (Débora Falabella) de Avenida Brasil, que nunca foi a mocinha clássica, e o esperto Romero Rômulo (Alexandre Nero), de A Regra do Jogo, que acabou se enrolando na própria mentira. João não viaja para se inspirar. Ele se inspira no ser humano, isso fica nítido em seus textos. Outro mérito do autor, é que em momento algum, ele subestima a inteligência do telespectador. Seu texto não tem o famoso ‘tatibitate’. Ele  sabe que o receptor (público) vai entender. Não precisa explicar um assunto em um capítulo inteiro.

Com a estreia de Segundo Sol, começaram a surgir pessoas dizendo que essa novela seria a sua redenção. Que redenção? Ele não precisa mostrar nada para ninguém. É talentoso e ponto final. Creio que Segundo Sol será um grande sucesso, pois o público está desarmado. Em relação A Regra do Jogo, não. A novela mal havia estreado, e todos chegaram com várias pedras nas mãos. Mas, ele (autor) entregou um trabalho honroso, mesmo com todos os problemas enfrentados.

João Emanuel Carneiro não precisa prova mais nada para ninguém. Com competência e dignidade, escreveu e deixa para sempre a sua assinatura em nossa dramaturgia. Que venha Segundo Sol.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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