Irregular, Brasil a Bordo tem ótimo elenco, mas derrapa em piadas surradas

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Estreia da noite de ontem (25) na Globo, a comédia Brasil a Bordo, de Miguel Falabella, está há mais de um ano na gaveta. Prevista para estrear no início do ano passado, a série entrou no ar na TV apenas em 2018 em razão da tragédia envolvendo o time da Chapecoense, afinal, não seria de bom tom estrear uma comédia sobre aviação em meio a tanta tristeza. A atração, então, ficou disponível na Globo Play, mas finalmente debuta na tela da Globo.

A estreia, no entanto, decepcionou. Após uma série cheia de camadas como Pé na Cova, onde o humor flertava com a tragédia e a melancolia, Miguel Falabella aposta, agora, num humor meio rasteiro, lotado de piadas surradas. A premissa é boa: uma família falida retoma o direito de comandar uma companhia aérea, a Piorá, desde que os funcionários se tornem, também, sócios. Assim, a família liderada por Berna (Arlete Salles) terá que conviver com um trio de comissárias de bordo e despachantes um tanto disfuncional.

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O primeiro episódio passou boa parte do tempo apresentando os personagens, que são muitos. Berna é casada com Gonçalo (Luiz Gustavo), e convive, também, com os ex-maridos de suas irmãs, que chegaram a tocar a companhia com ela no passado, mas uma fugiu e outra morreu. Os cunhados Vadeco (Miguel Falabella) e Durval (Marcos Caruso) são os pilotos da companhia, e também vivem na mansão dos Cavalcanti. Camilinho (Rafael Canedo), Caravelle (Maria Eduarda Carvalho) e Johnny Beautiful (Magno Bandarz) completam o clã. Assim que descobrem que terão que dividir a Piorá com funcionários, surgem a comissária São José (Maria Vieira) e as despachantes Shaniqwa (Mary Sheila de Paula) e Almira (Stella Miranda).

Brasil a Bordo traz um clima anárquico característico de Falabella, com muitos personagens, e todos eles tipos cheios de mania. Mas, apesar da grife e da ótima premissa, o primeiro episódio derrapou com uma série de piadas velhas, algumas repetindo certos preconceitos difíceis de engolir, repetindo lugares comuns acerca da terceira idade ou da homossexualidade. Uma pena, se considerarmos que Pé na Cova era justamente o oposto, ou seja, uma ode às diferenças e à tolerância.

Assim, nesta estreia, o que salvou mesmo foi o elenco, principalmente Arlete Salles, Marcos Caruso, Maria Vieira, Maria Eduarda de Carvalho e Mary Sheila, esta última simplesmente impagável como Shaniqwa. Valeu também a presença de Niana Machado, figura recorrente nas obras de Falabella desde uma participação no Toma Lá Dá Cá. Mais uma vez vivendo uma velhinha esclerosada, a presença da atriz rendeu uma piada metalinguística bastante simpática. “Agora eu tenho que carregar esta mulher pra todo lugar!”, berrou Vadeco, enquanto ela gritava “eu quero descer!”. Fica a torcida para que a série cresça e ganhe substância, porque o primeiro episódio ficou devendo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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