Inicialmente promissora, As Aventuras de Poliana tem final melancólico

Duração além da conta prejudicou a trama do SBT

Publicado há 22 dias
Por André Santana
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As Aventuras de Poliana estreou há mais de dois anos cercada de expectativa. Adaptação da obra de Eleanor H. Porter, assinada por Iris Abravanel, a trama dava um passo além no projeto de novelas infantis do SBT. Inicialmente terreno de remakes mexicanos (ou argentinos), o segmento ganhava, finalmente, uma adaptação literária, e criava a expectativa de que a emissora poderia partir para enredos 100% originais.

O início foi simpático. A história de Poliana é simples, mas com alto poder de sedução junto ao público infantil e adulto. Ao apostar na saga da menina órfã que ensina o “jogo do contente” para driblar suas próprias adversidades e tristezas, As Aventuras de Poliana propôs um enredo praticamente a prova de erros.

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Além disso, Iris Abravanel aproveitou da experiência acumulada com as adaptações mexicanas, e tratou de “turbinar” sua versão de Poliana com elementos típicos dos folhetins anteriores. Assim, Poliana (Sophia Valverde) era supostamente órfã, como as protagonistas de Chiquititas; viveu reviravoltas de segredos familiares, como Cúmplices de um Resgate; e frequentava uma escola onde acontecia de tudo, tal qual Carrossel.

Isso sem falar que a própria trajetória da menina órfã que vai viver numa nova casa também remete a outra novela mexicana, que (ainda) não ganhou uma versão nacional: Chispita. Ou seja, As Aventuras de Poliana tinha todos os ingredientes que fazem o sucesso das novelas infantis. E deu certo, já que a audiência inicial foi excelente.

Esticamento desenfreado

Porém, este sucesso foi a ruína de As Aventuras de Poliana. A alta audiência fez com que a novela fosse indiscriminadamente prolongada, atravessando mais de dois anos no ar. Com isso, o elenco infantil cresceu. E o público envelheceu. Parte dele era criança quando a novela começou; no fim, já era adolescente. Um público desinteressado da história.

Soma-se a isso o fato de que a própria história já não tinha mais para onde ir. As Aventuras de Poliana esgotou todas as suas possibilidades, e passou a apostar numa narrativa episódica. Segredos tiveram suas revelações constantemente adiadas. Até Poliana perdeu o protagonismo em algum momento.

Para piorar, o SBT não desistiu da novela. Tratou de engatar uma segunda temporada. Apostar numa nova fase pode até dar um up na novela, já que haverá uma renovação de enredo e elenco. Mesmo assim, é uma aposta arriscada seguir com uma história que, claramente, já provocou cansaço na audiência.

Esta pausa forçada por conta do coronavírus pode significar um respiro. Mas, ainda assim, a emissora corre um risco que deveria ser evitado. Com o know-how acumulado em oito anos de produções infantis ininterruptas, passou da hora de a emissora apostar numa obra original. Não será desta vez.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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