Imperdível, documentário sobre Silvio Santos é só elogios ao patrão

Mesmo bajuladora, produção sobre o dono do SBT é melhor do que a maioria dos filmes documentais atuais

Publicado em 9/8/2021
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O documentário sobre a vida e obra de Silvio Santos, que foi ao ar na noite do domingo, 8, é totalmente favorável ao empresário e apresentador, o principal comunicador da história da TV brasileira e dono do SBT.

Como qualquer biografia autorizada, a produção tem caráter bajulador e parcial, sem abordar nenhum ponto controverso ou negativo de sua trajetória. Mesmo assim, o documentário, resgatado para a programação especial dos 40 anos da emissora, é imperdível.

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Ele é muito melhor do que quase tudo do gênero documental que se produz e exibe atualmente, em todas as plataformas, quer seja produção nacional ou internacional.

As razões são claras: a produção do SBT é bem feita para a televisão, há depoimentos relevantes de gente realmente importante e os acervos acessados com imagens de arquivo são de uma preciosidade única. Já a maior parte dos documentários atualmente em cartaz parece feita às pressas, traz entrevistas sem profundidade e com pouco material de pesquisa, indicando que estão sendo encomendados apenas para preencher espaço de programação.

A se lamentar nesta biografia audiovisual de Silvio Santos é o atraso de seis anos desde sua finalização até a estreia em televisão. De 2015, data do documentário – feito para comemorar os 85 anos do apresentador, hoje com 90 –, até agora, muita coisa mudou no Brasil e na televisão; e alguns dos entrevistados já faleceram, como Gugu Liberato, Marcelo Rezende e Wagner Montes.  Ainda assim, a exibição não perde a validade.  

Momentos curiosos da trajetória do ex-camelô são resgatados, com uma  dramatização de sua juventude e do começo em rádio.

Há também vídeos históricos, como a reunião governamental que selou a concessão do primeiro canal de TV para Silvio Santos.  A relação do apresentador com Manoel da Nóbrega, pai de Carlos Aberto de Nóbrega, é largamente abordada e explica o tenro relacionamento até hoje entre o dono do SBT e o titular de A Praça é Nossa.

Manoel de Nóbrega com Silvio Santos, em cena do documentário do SBT. Foto: Reprodução

Descobridor de talentos

É possível acompanhar como, além de ser ele mesmo o maior dos seus artistas, Silvio soube identificar e fez crescer novos talentos na televisão. Vemos o início da carreira de Gugu Liberato, ainda nos bastidores, até sua grande estreia com o Viva a Noite. Também temos o vídeo que levou Celso Portiolli a conseguir uma chance na emissora. E há a revelação do atual diretor artístico do SBT Fernando Pelégio sobre o patrão ter custeado seus estudos de TV nos Estados Unidos.

Cenas marcantes do jornalismo nacional, como o episódio do sequestro da filha de Silvio, Patrícia Abravanel, e os absurdos desdobramentos do caso– que inclui a volta do sequestrador à casa do apresentador –, até a intervenção direta do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, também são rememorados.

Os concorrentes comparecem de forma muito amigável: Edir Macedo (Record TV), Boni (TV Vanguarda/Rede Globo), Amilcare Dallevo Jr. e Marcello de Carvalho (Rede TV!), bem como as ex-contratadas  da casa Adriane Galisteu e Ana Paula Padrão. Eliana chora ao lembrar-se das oportunidades abertas no SBT desde seus tempos com o grupo Banana Split.

O início da menina prodígio Maísa e o sucesso da versão brasileira de Carrossel também estão ali. Ivete Sangalo, sempre em todas as festas, é outra que não poderia ter ficado de fora.

Personalidades

Outros famosos do mundo não-artístico, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso também contam suas histórias com Silvio Santos.

Os depoimentos e cenas de Roberto Carlos na emissora – há décadas o cantor é artista exclusivo da TV Globo – merecem ser vistos, coisa de rei para rei. Ou melhor, de reis para reis: o rei do futebol, Pelé, também está na área.

Ainda, num trecho sobre o Teleton, uma das ações anuais mais marcantes do SBT, feito junto à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), revemos o beijo na boca, um “selinho”, dado pelo dono do Baú da Felicidade no cantor Gilberto Gil.

A produção

A apresentação do documentário está a cargo de Marília Gabriela, em grande forma – é incompreensível ela estar fora da atual programação em qualquer canal de TV. O roteiro é relativamente simples e didático, seguindo a ordem cronológica da trajetória de Senor Abravanel, com uma amarração entre os blocos marcada por uma boa dose de exaltação do patrão.  

A diretora Leonor Corrêa buscou os melhores ângulos e depoimentos de amigos, artistas e personalidades. Inclusive o irmão da diretora, Fausto Silva, que nunca foi contratado do SBT, aparece rapidamente .

Tudo é sempre cercado de muito viés positivo; afinal, a supervisão da produção foi de Íris Abravanel, mulher de Silvio Santos, com a participação de toda a família.

Sem comentários

Documentários são obras autorais e ninguém é obrigado a abordar pontos negativos. No entanto, ignorar fatos é também um jeito de apagar memória, não dando chance para um simples registro ou para se admitir ou justificar atitudes do passado. Por exemplo, ao mostrar todo o sucesso e empolgação com o reality show Casa dos Artistas, o documentário ignora completamente o fato de o SBT ter sido processado pela Endemol por plágio do Big Brother – um processo que durou anos e correu sob sigilo de Justiça.

Não foram poucas as vezes, especialmente nos anos mais recentes, em que Silvio Santos foi infeliz durante seu programa de auditório no uso de algumas expressões no palco, com frases preconceituosas ou que causaram constrangimento com convidados e plateia.

O apresentador também tem um histórico de utilizar a programação para aproximações com governos – isso vem desde o regime militar, quando se exibia todo domingo o programete A Semana do Presidente. Nos anos do governo Lula, também, houve um grande escândalo financeiro envolvendo uma de suas empresas, o Banco Pan-Americano, que teve socorro da Caixa Econômica Federal. Nada disso consta deste documentário e, sem as imagens de acervo do próprio SBT, é difícil esperar a exibição de alguns desses temas em qualquer outra produção audiovisual.

O documentário tem aproximadamente duas horas de duração e está disponível na íntegra no canal do SBT no YouTube:

* As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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