Flávio Tolezani não brilhou em Verão 90 como nas novelas de Walcyr Carrasco

Publicado há um ano
Por Fábio Costa
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Intérprete de Raimundo em Verão 90, a novela das 19h que se despede essa semana da tela da Globo, Flávio Tolezani não fez tanto sucesso quanto em seus trabalhos imediatamente anteriores. E não porque tenha interpretado mal seu personagem, mas sim por outros motivos.

Quem é Raimundo, personagem de Flávio Tolezani em Verão 90

Raimundo dos Reis é proprietário de um restaurante nordestino como ele, o Baião de Dois. Embora tenha antipatizado um pouco com Janaína Guerreiro (Dira Paes) assim que ela chegou ao Rio de Janeiro e começou a roubar clientes seus com deliciosas quentinhas, Raimundo acabou mantendo com ela boas relações. Chegou ao ponto de manifestar seu interesse romântico por Janaína. No entanto, ela era apaixonada pelo cineasta Herculano Mendes (Humberto Martins), que conheceu em Armação do Sul, Santa Catarina, onde vivia no começo da novela.

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Há algumas semanas, enfim Janaína e Raimundo engataram um
romance. A agora também empresário do ramo da alimentação rompeu com Herculano,
que foi viver nos Estados Unidos. Nesse ínterim, Raimundo teve um rápido
envolvimento com a vidente Madá (Fabiana Karla), sem maiores consequências. Ela
inclusive tem seu destino atrelado ao do ex-marido Álamo (Marcos Veras), e os
dois vivem de revival em revival.

Raimundo nunca teve medo de trabalho, e por isso mesmo venceu com seu restaurante, que serve de cenário para diversos momentos da história. Especialmente alguns que envolvem o vilão Jerônimo (Jesuíta Barbosa), vilão do enredo.

Um breve retrospecto da carreira de Flávio Tolezani na TV

Ator de carreira eminentemente teatral, Flávio Tolezani estreou em novelas como Marcelo, numa participação em A Favorita (2008). Foi ele que Flora (Patrícia Pillar) assassinou: seu ex-namorado e pai de sua filha Lara (Mariana Ximenes), na história escrita por João Emanuel Carneiro. Em 2012, Flávio viveu Eduardo, protagonista de Corações Feridos, novela de Íris Abravanel no SBT. O original de Caridad Bravo Adams já havia sido exibido no Brasil pela emissora, numa versão mexicana chamada A Mentira, em 2000. Só para ilustrar, o personagem de Flávio equivalia ao de Guy Ecker.

Vinícius (Flávio Tolezani) em O Outro Lado do Paraíso (Reprodução)

Apenas em 2015 o ator voltaria às novelas, como o viciado Roy de Verdades Secretas, de Walcyr Carrasco. Posteriormente, Flávio Tolezani faria ainda outras duas novelas do autor. Foi o Dr. Araújo de Eta Mundo Bom! (2016) e o pedófilo Delegado Vinícius em O Outro Lado do Paraíso (2017/18). Os três personagens criados por Walcyr para Flávio repercutiram mais do que o Raimundo de Verão 90, em que pese a boa audiência da novela das 19h que termina amanhã. Especialmente Roy e Vinícius, com toda a certeza. No entanto, há alguns fatores que contribuíram para isso.

Alguns motivos pelos quais Raimundo não foi um sucesso como personagem

O primeiro deles, com efeito, é o fato de Raimundo ter sido criado visando à escalação de um ator que girasse em torno dos 50 anos. Ele seria um pouco mais velho do que Janaína, que gira pelos 40 anos. O outro é o fato de que no decorrer da história Janaína se tornou diferente do que era no começo. As características da personagem em geral não mudaram, ela seguiu sempre batalhadora, trabalhadora, cozinheira de mão cheia. Todavia, ficou um pouco cínica, coisa que no começo não era. De tal forma que o casal com Raimundo, com ou sem triângulo com Herculano, não funcionou como poderia. Se Janaína tem força sozinha e sem romance, uma vez que é mãe dos protagonistas Jerônimo e João (Rafael Vitti), Raimundo dependia dela para alçar maiores voos na história.

Flávio Tolezani teve seu visual levemente alterado para
aparentar o que o personagem exigia, um homem sofrido que venceu pelo próprio
esforço, mas é claro que Raimundo foi “rejuvenescido” diante das necessidades
de escalação da direção, a fim a de adequar personagem e intérprete. Não
comprometeu, tampouco contribuiu sozinho para que o dono do Baião de Dois fosse
um personagem marcante de Verão 90. Mas não o condenemos: muitos casos há a
enquadrar na mesma condição.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total
responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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