Fina Estampa: oito anos depois, tramas da novela envelheceram mal

Exibida entre 2011 e 2012, a novela tem sequências controversas para os dias de hoje

Publicado há 4 meses
Por André Santana
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Já faz mais de oito anos que a Globo exibiu o último capítulo de Fina Estampa em sua exibição original. Neste meio-tempo, a sociedade passou por algumas transformações, ao ponto de várias das histórias da novela de Aguinaldo Silva terem envelhecido mal. Há situações mostradas ali que passaram batido há oito anos, mas que hoje chamam a atenção.

Em capítulos recentes, Quinzé (Malvino Salvador), que tem uma relação mal resolvida com Teodora (Carolina Dieckmann), a procura com a certeza de que a moça arrumou um novo amante que a sustenta. Ele invade o quarto dela, a acusa sem qualquer prova e a ofende. Enquanto ela tenta se defender, ele a ataca e rasga o seu vestido. Depois, os dois se beijam e transam (!).

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Trata-se de uma cena questionável neste momento em que se discute tanto sobre o machismo. Quinzé se comporta como “boy lixo”, agindo até de violência contra a mulher que diz amar. Como o personagem é um dos mocinhos da história, trata-se de uma postura, no mínimo, questionável. Não precisava.

Crô

Além disso, a maneira como Crô (Marcelo Serrado) é tratado por todos também chama a atenção. Homossexual, o personagem é motivo de chacota ao longo de toda a novela. Na reta final, ele forma uma dupla cômica com Baltazar (Alexandre Nero), um homem violento.

Vale lembrar que Baltazar começa a trama como um personagem sério. Um homem ruim, que espanca a própria esposa e reprime a filha. Porém, aos poucos, ele vai sendo levado para outro lugar, até chegar à improvável dupla. Baltazar, então, passa de vilão a palhaço.

Crô e Baltazar, assim, ganham muitas sequências com tentativas de comicidade. A “graça” na dupla é toda baseada em Crô provocar o motorista, e Baltazar responder com ofensas quanto a sua sexualidade. Um tipo de humor que tem cada vez menos espaço na TV de hoje.

Estrutura

Além das tramas em si, outra mudança que pode ser observada nestes anos de Fina Estampa está relacionada à estrutura da novela. A trama carrega um formato datado, que faz uso de núcleos desnecessários, “pendurados” à história principal, mas sem acrescentar qualquer coisa a ela. É um recurso utilizado numa época de novelas longas, mas que não faz sentido no atual contexto, em que as novelas ficaram um pouco menores.

Assim, um núcleo como o do Recanto da Zambeze, repleto de personagens sem função, e que ganham longas cenas sem importância, já não é tão necessário nos dias de hoje. Claro, ainda há novelistas que fazem uso deste expediente, mas isso vem se transformando. As novelas, de fato, estão ficando mais enxutas.

Ou seja, apesar de muitos espectadores defenderem que “novela nunca muda”, é possível observar que ela acompanha, sim, a evolução da própria sociedade. Felizmente.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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