Fina Estampa: o bom e o ruim da trama de Aguinaldo Silva

A trama é leve e bem-humorada, mas tem momentos absurdos

Publicado há 6 meses
Por André Santana
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Em pausa forçada por conta da pandemia do coronavírus, Amor de Mãe dá espaço a uma reprise de Fina Estampa. A novela de Aguinaldo Silva foi um grande sucesso do ano de 2011, ao apresentar personagens que caíram no gosto da audiência. Tipos como Griselda, a Pereirão (Lília Cabral), Tereza Cristina (Christiane Torloni) e Crô (Marcelo Serrado) marcaram e fizeram o horário nobre da Globo se reerguer, depois de uma série de novelas mornas. No entanto, nem tudo foram flores: Fina Estampa surfou no sucesso, mas ofereceu uma trama cheia de furos.

A trama tem suas qualidades. A principal delas é seu enredo mais simples e colorido, sem maiores pretensões. Originalmente, Fina Estampa sucedeu Insensato Coração, que, por sua vez, substituiu Passione. Duas novelas soturnas, densas, com uma tônica policial muito evidente. Assim, Pereirão surgiu para deixar o horário nobre da Globo mais leve, e os resultados vieram. Por conta disso, é até fácil compreender os motivos que levaram a emissora a optar por uma reprise de Fina Estampa neste momento.

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Entretanto, Fina Estampa é um dos textos mais rasos da ampla carreira de Aguinaldo Silva. Em sua fase urbana, o autor sempre assinou tramas pretensiosas, discutindo temas políticos e sociais, e com muitos personagens. Senhora do Destino (2004) e Duas Caras (2007) tinham esse viés. Já Fina Estampa, não. Tratava basicamente da rivalidade entre uma mulher pobre e boa, contra uma ricaça do mal. Um folhetim dos mais básicos.

Fábula

Além disso, aos poucos, o texto de Aguinaldo Silva foi resvalando num tom de sátira, quase uma fábula, onde aconteciam coisas absurdas. E a trama, que até tinha caminhos interessantes, aos poucos vai se resumindo aos planos mirabolantes de Tereza Cristina tentando matar os filhos de Griselda. Ou seja, Fina Estampa se mantém na superfície todo o tempo.

Porém, a novela ganha alguma substância, sobretudo em razão da qualidade de seu elenco. Assim, Lília Cabral faz uma Pereirão apaixonante, enquanto Christiane Torloni se diverte em cena e faz graça com sua amalucada vilã. Em suma, é uma trama frouxa, mas que tem momentos divertidos que devem oferecer bom entretenimento nestes tempos sombrios.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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