Fina Estampa: levada em banho-maria, trama de Danielle cresce na reta final

Disputa de Esther e Beatriz pela guarda de Vitória toma conta da novela

Publicado há um mês
Por André Santana
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Em Fina Estampa, uma das tramas paralelas mais fortes, porém menos lembradas, é a que envolve Danielle (Renata Sorrah), Esther (Julia Lemmertz) e Beatriz (Monique Alfradique). A história da médica que “fabrica” um novo sobrinho acaba esquecida em meio ao duelo entre Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni). No entanto, na reta final, este núcleo ganha força e já toma conta da novela.

Não se trata de uma história ruim. A discussão ética que se impõe quando uma médica resolve agir passionalmente e manipular toda uma fertilização é bem interessante. Danielle sabia que o sonho do irmão era ter um filho com Beatriz. Com a morte dele, ela se aproveita do fato de uma de suas pacientes ter escolhido justamente o irmão como doador, e faz a fertilização a partir do óvulo doado da namorada dele.

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Nesta fase final de Fina Estampa, a história vem à tona. Enquanto Beatriz e Esther lutam na justiça pela guarda da pequena Vitória, Danielle enfrenta o julgamento da opinião pública, testemunhando sua festejada carreira ruir diante de seus olhos. A história eclode a partir de uma matéria de jornal, reverberando e afetando vários personagens do enredo de Aguinaldo Silva.

Entretanto, todo este entrevero não foi bem explorado ao longo de Fina Estampa. Até atingir este clímax, quando a história finalmente diz a que veio, todos os personagens envolvidos foram levados em banho-maria.

Danielle passa a novela toda sem rumo certo, num romance esquisito com Enzo (Julio Rocha). Enquanto isso, Esther vive um triângulo amoroso que envolve Paulo (Dan Stulbach), um homem mimado e intragável, e Guaracy (Paulo Rocha), que parece caído de paraquedas neste enredo. Já Beatriz tenta engatar um romance com Antenor (Caio Castro), que não convenceu ninguém.

Ou seja, até que a trama de Fina Estampa envolvesse todos estes personagens num único fio condutor, todos eles ficavam praticamente “flutuando” no enredo, como se não tivessem destino certo. Com isso, o público não encontrou motivos para se envolver com eles. Assim, quando a trama finalmente chega onde queria chegar, já não há maior interesse da plateia em seus desdobramentos.

Trama central esvaziada

Porém, é fácil entender os motivos de esta trama secundária crescer tanto na reta final de Fina Estampa. Danielle, Beatriz e Esther ganham certo protagonismo justamente quando as protagonistas de fato já não têm muito o que fazer na história.

Griselda, há tempos, perdeu força na história. Desde que ficou milionária, se dedica apenas a desarmar as armadilhas espalhadas por Tereza Cristina. Esta, por sua vez, vive uma trama paralela própria, com seu segredo furado e os desdobramentos da investigação do assassinato de Marcela (Suzana Pires).

Assim, o autor preenche os capítulos finais com o drama de Danielle e suas pacientes. Pena que a novela deixa apenas para o fim um enredo que teria condições de empolgar, se fosse desenvolvido de uma maneira menos preguiçosa. Neste momento da história, poucos espectadores estão realmente preocupados em saber com quem Vitória deve ficar.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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