Fim do Zorra indica nova revolução do humor da Globo

O humorístico representou uma grande mudança no humor da emissora

Publicado há um mês
Por André Santana
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Na última semana, a Globo oficializou o fim de seus atuais programas de humor. Zorra, Fora de Hora e Escolinha do Professor Raimundo não devem ganhar novas temporadas em 2021. A emissora informou que um novo humorístico será formatado para as noites de sábado, que deve reunir diferentes estilos e talentos da área.

O fim do Zorra é emblemático. Afinal, o humorístico das noites de sábado se tornou o grande símbolo da mudança de rumo que a Globo impôs ao seu humor. Quando o clássico Zorra Total se tornou o “moderninho” Zorra, a emissora dava um claro recado: seu humor se transformou.

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Zorra Total era um humorístico tradicional, calcado em personagens populares e bordões. Um tipo de humor que, muitas vezes, resvalava na misoginia, no racismo e na homofobia, o que foi se tornando cada vez mais antiquado e incômodo.

Paralelamente, a internet se tornava o palco para uma nova leva de comediantes, mais antenados com a realidade atual. Aos poucos, o humor foi se moldando no sentido de parar de tirar sarro do oprimido para começar a sacanear o opressor. Ou seja, se no passado se ria de um homossexual ridicularizado, agora chegava a vez de rir do homofóbico ignorante. Porta dos Fundos é o principal expoente deste novo “movimento”.

Neste contexto, experiências da Globo, como o Junto & Misturado e, principalmente, o Tá no Ar, encorajaram a emissora a assumir de vez esta porção mais contemporânea. Assim, quando o Zorra perdeu o “Total”, perdeu também as piadas antiquadas. Ganhou a crônica cotidiana e a sátira política.

Outras experiências

Neste novo cenário, Tá no Ar se estabeleceu e outras experiências aconteceram, como o Choque de Cultura e o quadro Isso a Globo Não Mostra, do Fantástico. A emissora se especializou no humor satírico, crítico, que não perdoava nem ela mesma. Fora de Hora foi o último “grande lançamento” desta “era”.

Claro, o fim do Zorra não representa a volta do humor mais “antigo”. Mas, sem dúvidas, indica uma nova mudança de rota. Se será para melhor ou pior, não se sabe ainda. Porém, independentemente do que virá, fato é que o novo Zorra contribuiu bastante para a renovação do humor da emissora, rendeu ótimos momentos e fará muita falta.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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