Filé do Viva, novelas demonstram erros de estratégia do canal

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Criado há oito anos pela Globosat, o Canal Viva tem surpreendido os telespectadores com cancelamentos, adiamentos e opções controversas para a grade. Desde o anúncio de que Bebê a Bordo, então no ar às 15h30, seria a primeira novela a não ser exibida integralmente pelo canal, os noveleiros de plantão andam apreensivos em relação às novas escolhas. E, claro, à possibilidade de que opções de menor sucesso de audiência sejam também abreviadas.

Tony Ramos e Isabela Garcia em Bebê a Bordo (Divulgação/TV Globo)

A novela de Carlos Lombardi, exibida em 1988/89 às 19h, terminaria em setembro caso tivesse sido exibida na íntegra. No entanto, terminou em 15 de junho, três meses antes do previsto. Foi providencialmente substituída por uma nova reprise de Vale Tudo. Esta, já apresentada em 2010/11 pelo Viva, foi trazida de volta novamente com a deixa de comemorar seus 30 anos. Nada contra Vale Tudo, que de fato merece ser celebrada, a exemplo de tantas outras. O problema é que se abriu um precedente bastante grave, com a edição de mais da metade de uma novela. Uma atitude digna dos maiores desrespeitos cometidos por canais abertos. É verdade que a íntegra de Bebê a Bordo foi disponibilizada normalmente na plataforma Viva Play. Mas seus capítulos foram retirados dela nos mesmos 30 dias regulamentares após o término da exibição (tesourada) na TV.

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Voltas atrás e alterações dos últimos tempos

Os últimos meses foram marcados por diversos cancelamentos de atrações divulgadas pelo Viva. Além de inexplicáveis atrasos e atropelos nas divulgações das novelas. Apenas depois de já estreada Vale Tudo foi que passaram a ir ao ar chamadas explicativas da trama, resumindo-a e apresentando-a a quem não a conheça. Antes da estreia (e bem pouco antes), apenas vídeos contando com a memória de quem já a viu foram ao ar.

Baila Comigo (1981) estreará no próximo dia 20 em substituição a Sinhá-Moça (1986) às 14h30. No entanto, só teve chamadas no ar menos de duas semanas antes da estreia. Nada de chamada de elenco ou com um resumo da trama. A julgar pelo pouco tempo que antecede a volta, tudo indica que novamente apenas depois de estreá-la o Viva vai divulgar seu elenco e a história.

Divulgadas no início do ano como atrações vindouras, Roda de Fogo (1986/87) e Brega & Chique (1987) foram adiadas. A primeira estrearia em 30 de julho, mas foi trocada por A Indomada (1997) em maio. A segunda foi divulgada em março para as 14h30, mas seu cancelamento foi anunciado também em maio. Só em julho foi divulgada a nova atração prevista para a faixa, justamente Baila Comigo.

A próxima trinca de novelas do Viva (até o momento) e suas controvérsias

Adriana Esteves e Eduardo Moscovis em O Cravo e a Rosa (divulgação)

Roda de Fogo deve surgir no primeiro trimestre de 2019. Bem como Força de Um Desejo (1999/2000) e O Cravo e a Rosa (2000/01). Estas são duas novelas das 18h, de época, o que por si já surpreende e também causa estranhamento. Ainda, o fato de O Cravo e a Rosa não ter ainda completado 20 anos à época de sua eventual reestreia já dá o que falar desde já. No ano passado foi divulgado que Globo e Canal Viva entraram num acordo. Segundo este, ficam reservadas para o canal aberto as produções com menos de 20 anos, e as que sobram ficam disponíveis para o Viva.

Outro problema é a divulgação das três próximas novelas, que só estreiam no primeiro trimestre de 2019, de uma vez só. O Canal Viva poderia se espelhar em oportunidades anteriores. O burburinho dos noveleiros nas redes sociais fomenta um engajamento nos canais do Viva a cada novo anúncio ou cogitação. Ademais, ainda que as novelas do canal sempre tenham sido divulgadas com alguma antecedência, Baila Comigo ainda nem estreou. Por sua vez, A Indomada nem um mês no ar fez, e já se sabe quais virão depois delas…

Com efeito, outro ponto a ser levantado é o do “desperdício” de novelas sabidamente já disponíveis para o Canal Viva e que aguardam vez na grade. Jogo da Vida (1981/82) é uma, divulgada no ano passado e trocada por Bebê a BordoLua Cheia de Amor (1990/91), outra, esta nunca divulgada, mas cogitada até numa enquete em 2014.

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Outras novelas anunciadas e adiadas ou canceladas pelo Canal Viva

Não é de hoje que o Viva cancela ou adia atrações anunciadas. Já em 2012, A Próxima Vítima (1995) teve sua reprise adiada em prol de Renascer (1993). A atitude consta como tomada em virtude de muitos pedidos pela novela de Benedito Ruy Barbosa.

Em duas ocasiões o Viva deu pra trás em relação a Pecado Capital (1998/99), adaptação de Glória Perez do original de Janete Clair. O motivo foi a enxurrada de queixas quanto à escolha, especialmente nas redes sociais. Em pouco mais de um ano, entre 2013 e 2014, tentou-se emplacar duas vezes a novela, sem êxito. Ela foi trocada, respectivamente, por Anjo Mau (1997/98) e História de Amor (1995/96).

Após desagradar diversos telespectadores com a abreviação de Bebê a Bordo e tantas mudanças, o Canal Viva precisa rever com urgência seu posicionamento. Certamente há público tanto para opções mais “modernas” quanto para os clássicos. Se o objetivo é ter audiência, haverá meios com escolhas que agradem a ambos os grupos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

 

 

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