Feminista e contemporânea, reprise de A Força do Querer retoma temas que pareciam em baixa

Novela não é panfletária, mas tem forte viés feminista

Publicadohá pouco tempo
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A edição especial de A Força do Querer pode não ter repetido o êxito de sua exibição original, em 2017. Mas a reapresentação da trama de Gloria Perez serviu para reafirmar avanços que ameaçaram retroceder diante de uma onda conservadora que se abateu no Brasil e no mundo nos anos seguintes à sua exibição.

Afinal, A Força do Querer é uma novela sobre mulheres. A trama apresentou três protagonistas que destoaram da mocinha clássica. Ritinha (Isis Valverde) era egoísta e inconsequente, enquanto Bibi (Juliana Paes) tomou o rumo do crime em nome de um amor; já Jeiza (Paolla Oliveira), a única “heroína” de fato delas, abriu mão de sua vida amorosa em razão de uma ambição profissional.

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Em torno delas, outras personagens femininas igualmente fortes. Todas independentes, que buscavam viver a partir de seus desejos. Ou seja, embora A Força do Querer não tenha sido exatamente panfletária, a trama de Gloria Perez teve um viés feminista muito evidente.

Assim, em 2017, a trama estava em sintonia com as pautas sociais, nas quais a defesa das minorias, o empoderamento feminino ou a busca por mais representatividade avançavam. Porém, estes movimentos foram desacreditados em nome de uma agenda ideológica conservadora que cresceu de lá para cá.

Curiosamente, a reapresentação de A Força do Querer veio num momento em que esta movimentação busca retomar o protagonismo e seguir avançando. Ou seja, a novela de Gloria Perez serviu para reafirmar valores que pareciam em baixa. Mas que, ao que tudo indicam, não estão e ainda têm força. Ainda bem!

Experiência bem-sucedida

É possível que A Força do Querer não tenha repetido seu sucesso por ser recente demais. Ou então por ser mais pesada que a trama anterior, Fina Estampa. No entanto, a reprise cresceu ao longo de sua exibição, evidenciando que não houve uma rejeição à história em si. A novela reafirmou suas qualidades nesta reprise.

Com A Força do Querer, Gloria Perez se reinventou como novelista. A impressão que passou é que a autora aprendeu com os erros de Salve Jorge (2012), sua novela anterior. Quando a mocinha Morena (Nanda Costa) não foi uma unanimidade e a insistência em abordar uma cultura internacional “exótica” se manteve com o núcleo desnecessário da Turquia, a autora tratou de deixar sua nova história mais “limpa”, sem excessos ou pirotecnias.

Isso se revelou um acerto. A novela mostrou vigor, ao mesmo tempo em que não tentou reinventar o gênero. Mas, sem dúvidas, conseguiu fazer algumas concessões dentro do próprio gênero. Além disso, foi um trabalho marcante para Juliana Paes, Paolla Oliveira e Isis Valverde.

Como sempre, a autora propôs merchandisings sociais poderosos, alinhados à trama que contou, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral), ou a transexualidade de Ivan/Ivana (Carol Duarte), esclarecendo pontos obscuros de temas que, para muitos, soam espinhosos.

Em suma, o folhetim foi feliz na abordagem de vários assuntos, na construção da relação dos personagens, no elenco muito bem escalado e na direção criativa de Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos, que conseguiram fugir do lugar-comum, ao mesmo tempo em que mantiveram as características do gênero.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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