Expectativa máxima, resultado mínimo: por que Apocalipse não deu certo?

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Concluída na noite desta segunda-feira, 25, a novela Apocalipse termina sem deixar saudade para a Record TV. Pelo menos em termos de audiência e repercussão. A história assinada por Vivian de Oliveira chegou ao fim com menos ibope que suas antecessoras no horário. E também marcando menos que reprises, tanto vespertinas quanto noturnas, no geral. Esperava-se atingir 15 pontos de média, e a novela ficou nos 10, marcando menos do que isso repetidas vezes.

Mas o que houve para que um projeto tão caro e de produção esforçada tenha ficado aquém da expectativa? Alguns fatores devem ser analisados. O primeiro deles é que uma história de cunho religioso como Apocalipse não necessariamente agrada a um público desinteressado desse viés. Ainda que a problemática seja transportada para os dias atuais, ao invés de num passado remoto.

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Essa imagem das tendas pelo deserto e dos povos caminhando por ele guiados por Moisés, por exemplo, é mais próxima do imaginário. O cinema contribuiu muito para isso. Mas a ambientação moderna soou estranha para alguns espectadores, especialmente diante das atrações anteriores da Record TV. Os Dez Mandamentos, em reprise na faixa anterior (19h45min), é a maior audiência nacional da emissora hoje. Fica acima dos 12 pontos.

Apocalipse cutucou a Igreja

Outro motivo que pode ter contribuído para afastar parte do público foi a identificação da Igreja Católica com o mal. Representada como Igreja da Sagrada Luz, tinha seu líder Stéfano (Flávio Galvão) como aliado do vilão Ricardo Montana (Sérgio Marone). Aliás, este era filho do próprio anjo decaído, no enredo ficcional. Num país onde o catolicismo ainda é bastante forte, utilizar a dramaturgia para atacá-lo não se revelou grande negócio. Isso falando-se num contexto geral, claro, já que Apocalipse não foi a primeira produção que criticou a Igreja.

Flávio Galvão na chamada de seu personagem Stéfano em Apocalipse (Reprodução)

Ainda, a habilidade de Vivian de Oliveira em conduzir histórias parceladas encontrou aqui um obstáculo. As ingerências da emissora sobre o material tornaram-no menos novela e mais propaganda religiosa. Isso culminou na saída de Vivian do projeto em sua reta final. Ainda que o espectador seja crente, no sentido de crer em algo, ele precisa de um enlevo ficcional que o envolva. Esse elo entre intenção e enredo não se deu de forma tão eficiente como nas novelas bíblicas anteriores. O que pode ajudar a contextualizar a recepção da produção.

Moisés embalou Apocalipse com reprise

Ainda, é bem verdade que os números de Apocalipse melhoraram quando ela passou a ser antecedida pela reprise de Os Dez Mandamentos. Como também é verdade que a audiência caía quase pela metade na troca de uma atração para a outra, por volta das 20h45min. Isso seguramente não deve ser esquecido pela Record TV nas próximas investidas. Tanto assim que A Terra Prometida, que sucedeu a Os Dez Mandamentos em 2016, cumprirá novamente a mesma função dentro de algumas semanas.

Juliana Knust, Igor Rickli e Bernardo Costa em Apocalipse (Reprodução)

Juliana Knust e Igor Rickli desempenharam bem seus papéis de mocinhos da história. Outros nomes como Flávio Galvão, Joana Fomm, Selma Egrei, Bia Seidl, Zecarlos Machado, Nina de Pádua e Carla Marins também se saíram bem, como de costume. Ao passo que o mesmo não se pode dizer de Sérgio Marone, que abusou dos trejeitos. Em termos técnicos, em especial as cenas com efeitos especiais foram muito bem cuidadas.

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Após Apocalipse, emissora segue com o gênero

Finalizando, novelas devem ter apelos dramáticos, cômicos, românticos suficientemente atraentes para que o público se prenda a elas. O elenco de Apocalipse reuniu muitos nomes bons, mas isso não foi suficiente para atrair o público. No SBT, as produções têm elencos em geral pouco familiares ao espectador e nem por isso fazem feio na audiência. Assim como as novelas do SBT não são feitas apenas para crianças, as da Record TV não devem ser feitas apenas para “iniciados”.

No entanto, a emissora segue com o filão, estreando logo mais a “série especial” Lia e, para substituí-la, a novela Jesus. A autoria de ambas é de Paula Richard, que assinou O Rico e Lázaro no ano passado. Dudu Azevedo, intérprete de Jesus, deu um “aperitivo” de sua criação no final de Apocalipse, ao salvar os fiéis do mal.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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