Estreia de Conversa com Bial coloca o dedo na ferida, mas de forma leve

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Aconteceu na madrugada desta quarta feira (03) a aguardada estréia do Conversa com Bial, programa de entrevistas que o jornalista Pedro Bial vem formatando há quase 1 ano.

Além do cenário caprichado, é ali onde Bial se reinventa e assume tanto sua veia jornalística como sua veia como apresentador no mesmo nível de igualdade. O programa é um talk show, mas diferente de todos os outros programas do gênero no ar, Conversa com Bial não tenta ser engraçado, não tem esquetes, e a banda existe naquele cenário apenas para compor background musical, tal qual as bandas que embalam conversas de amigos em churrascarias e bares.

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O primeiro episódio que teve como convidadas a presidente do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia e a atriz e escritora Fernanda Torres mostrou que o programa pretende realmente conversar alternando entre uma paleta de temas que vão desde costumes locais do norte de Minas, local onde a ministra nasceu, até uma discussão acerca da corrupção, com nomes sendo citados abertamente. E aqui não coube fazer graça, ou constranger o entrevistado, pelo contrário houve uma desmitificação de personas. No caso da presidente do STF, pôde ser vista como uma cidadã brasileira comum quando não está em exercício de sua profissão, assim como a atriz que se despiu de seus personagens cômicos que a fizeram sucesso.

Conversa com Bial foi claro, pontual e direto. Sem enrolação, ele deu o tom pretendido pela direção e teve o foco somente naquilo o que era definido pra ser o substituto do Programa do Jô nas madrugadas do canal: um programa de debates, sem as opiniões acaloradas e polarizadas do seu antigo Na Moral (pelo menos por enquanto).

A construção do programa é agradável e seu roteiro segue com começo, meio e fim, bem ordenado. Em pouco mais de 1 hora no ar, Pedro, assim chamado tantas vezes por sua convidada faz o espectador sentir que este tempo não passou, e se é pra se diferenciar dos outros talk shows, até o cenário imprime isso ao inverter o que comumente vemos na TV: apresentador do lado direito e entrevistado do lado esquerdo. Ele é inegavelmente um bom apresentador, e bom entrevistador afinal deixar o convidado à vontade é uma arte, mas nesse primeiro programa faltou em alguns momentos pulso para direcionar as respostas das convidadas.

Diferente, do Programa com Bial, do Canal GNT, o Conversa assume com mais força o que foi bradado em suas chamadas sobre colocar o dedo na ferida, mas sem agredir ao telespectador. Se o programa vai agradar ao público, só o tempo dirá, mas Bial com certeza já pode pegar pra si o antigo slogan do Altas Horas e afirmar que existe vida inteligente na madrugada.

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