Espelho da Vida: Júlia Lemmertz, duas vezes mãe da mocinha

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Quem acompanhou a novela Espelho da Vida, que termina nesta segunda-feira na Rede Globo, seguramente se emocionou uma vez mais com o ótimo trabalho da atriz Júlia Lemmertz. Na história escrita por Elizabeth Jhin, ela interpretou duas personagens, Piedade e Ana. No entanto, ambas cumpriram a mesma função: a de mãe da protagonista, Júlia Castelo nos anos 1930 e Cris Valência na atualidade, interpretada por Vitória Strada.

Ana: bom caráter e bom coração

Pode ser difícil para o ator se destacar na interpretação de um personagem sem maiores arroubos de dramaticidade ou de vilania. Não é o caso de Júlia Lemmertz, que interpreta como poucas atrizes a mulher doce, serena, tranquila e amorosa. Esses são adjetivos que combinam perfeitamente com Ana, seu papel na fase de Espelho da Vida passada neste começo do século 21.

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Ana teve um relacionamento na juventude com Américo (Felipe Camargo),
o qual gerou a filha Cristina. Os dois não se entenderam muito bem, em virtude
do grande sentimento ter sido corroído pelo espírito malandro dele, e o casal
se separou. Ana uniu-se a Flávio (Ângelo Antônio), que a ajudou a cuidar de
Cris. A jovem até o chama de pai, em detrimento de Américo.

Piedade: a caminhada até o grito contra a opressão do marido
tirano

Na vida passada de Cris, em que ela se reconhece como Júlia, sua mãe também é Ana. Ou melhor, a mãe de Júlia, Piedade Castelo, tem a mesma figura física de Ana. A exemplo dos costumes e tradições de antigamente, Piedade não pôde escolher com quem se casaria, e foi destinada a Eugênio (Felipe Camargo), um fazendeiro arrogante e muito severo. Teve com ele somente uma filha, Júlia. No entanto, ele teve outros filhos fora do casamento, em pleno uso de sua figura de machão que pode tudo. Com a lavadeira Graça (Patricya Travassos), as filhas Dora (Alinne Moraes) e Teresa (Clara Galinari). Com Maristela (Letícia Persiles), o garoto Henrique (Otávio Martins).

Especialmente após a chegada da sogra Albertina (Suzana Faini) ao casarão da família, Piedade começou a manifestar mais ostensivamente seu descontentamento com o modo de seu marido tratá-la, e à filha. Cruel, Eugênio pouco se importava com os sentimentos delas, desde que sua vontade fosse cumprida e seu nome não fosse conspurcado. A grande ironia era o ciúme que sentia do padre Luiz (Ângelo Antônio). Não por amor a Piedade, mas por sentir-se ofendido em sua condição de marido.

A experiência e a habilidade de Júlia Lemmertz

Temos Júlia Lemmertz em nossas casas através da televisão desde 1981. Foi quando ela estreou como a Bia de Os Adolescentes, escrita por Ivani Ribeiro e Jorge Andrade para a hoje Band. Posteriormente estreou na Globo vivendo Adriana em Eu Prometo (1983/84). Teve bons papéis em produções da Manchete como Kananga do Japão (1989) e Guerra Sem Fim (1993). De volta à Globo, rendeu momentos interessantes em novelas como Andando nas Nuvens (1999), Porto dos Milagres (2001), Celebridade (2003) e na minissérie JK (2006). Aqui ela foi Dona Júlia, mãe do protagonista Juscelino Kubitschek (Alberto Szafran/Wagner Moura), enquanto menino e jovem. Posteriormente Ariclê Perez assumiu a personagem.

Em 2009 Júlia protagonizou a série Tudo Novo de Novo com Marco Ricca, e foi a Helena da vez de Manoel Carlos na novela Em Família (2014). Além de diversos outros trabalhos em teatro, televisão e cinema, esses são alguns que, só para ilustrar, ajudam a entender melhor a vasta galeria de figuras às quais Júlia Lemmertz já deu vida. E que a levam a tirar de letra duas mulheres boas e carinhosas que não saem iguais, como Piedade e Ana em Espelho da Vida, que se despedem hoje.

*As informações e opiniões
expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou
não refletir a opinião deste veículo.

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