Espelho da Vida dribla dificuldades e termina em alta

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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Espelho da Vida, novela das seis da Globo que terminou hoje (01), foi um trabalho especialmente feliz da autora Elizabeth Jhin. Isso porque ela veio com uma ideia que, apesar de não ser nova, é pouco usual: narrar duas histórias, passadas em dois tempos, simultaneamente. Pois a novelista não apenas conseguiu cumprir seu objetivo, como driblou os percalços enfrentados com muita sensibilidade. Como resultado, ofereceu uma trama que, apesar da baixa audiência, formou um público fiel e apaixonado.

E, verdade seja dita, Espelho da Vida decolou em sua reta final. A reviravolta coincidiu com a decisão da autora de “prender” Cris (Vitória Strada) no passado. Inicialmente, a mocinha circulava entre o passado e o presente por meio de um portal que a transformava em Julia Castelo, sua encarnação anterior. A prática acabou tornando a narrativa da novela truncada, tendo em vista que Cris mantinha um pé em cada “mundo”, e acabava ficando distante de ambos.

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Sendo assim, a decisão de manter Cris como Julia Castelo até a descoberta de seu assassino no passado fez a novela ganhar fôlego. A trama do passado, um folhetim tradicional rasgado, tomou conta da obra e arrebatou o público. Isso graças a uma bem construída história de amor, com direito a um final trágico. Final este que, embora conhecido desde o início, mexeu com a audiência. Afinal, Beth Jhin conseguiu instigar a plateia acerca da identidade do assassino de Julia Castelo.

Personagens duplicados

Além disso, quando a trama do passado tomou conta de Espelho da Vida, muitos atores puderam mostrar a que vieram. Atores como Julia Lemmertz e Felipe Camargo brilharam vivendo Piedade e Coronel Eugênio no “núcleo passado”. Tão diferentes de Ana e Américo, seus personagens no presente. Felipe Camargo, aliás, é o grande destaque do elenco, já que ele construiu duas figuras completamente distintas.

Enquanto no presente, Américo era um picareta de tons cômicos, no passado o Coronel Eugênio era um grande vilão. Foi ele o principal impedimento para que Julia e Danilo (Rafael Cardoso) vivessem seu amor. Sendo assim, a revelação de que era ele o assassino da própria filha coroou seu brilhante desempenho. E o final de Américo, salvando a vida de Cris, deu um desfecho coerente com a temática da novela. Américo se redimiu das maldades de sua vida passada.

As ousadias de Espelho da Vida

Ao contar duas histórias ao mesmo tempo, Elizabeth Jhin trazer algumas ousadias ao folhetim tradicional. No passado, deu o já citado fim trágico à sua principal história de amor, com a morte da mocinha e a prisão do mocinho. Enquanto isso, no presente, juntou a heroína Cris a Daniel (Rafael Cardoso), a reencarnação de Danilo. Afinal, é ou não é uma ousadia a mocinha terminar a obra com um personagem que ela nem chegou a conhecer de fato?

Assim, Espelho da Vida se tornou mais um êxito das obras de temática espírita de Elizabeth Jhin. A autora soube utilizar um mote semelhante ao de sua novela anterior, Além do Tempo, mas o fez de uma maneira diferente. O saldo é bastante positivo.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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