Em crise, SBT Brasil perde com provável saída de Rachel Sheherazade

Jornalismo da emissora perdeu grandes profissionais nos últimos anos

Publicado há 2 meses
Por André Santana
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Mais longevo telejornal da história do SBT, o SBT Brasil acaba de completar 15 anos vivendo uma de suas piores crises. A atração teve seus altos e baixos ao longo de sua trajetória, mas já foi comandada por grifes do telejornalismo e, em seus últimos anos, fez de Rachel Sheherazade o seu principal rosto.

Mas há quem diga que a jornalista está de saída da emissora, o que pode complicar ainda mais a situação já não muito confortável do noticioso. Isso porque, na falta de uma grande estrutura jornalística e de prioridade na informação, o SBT fortaleceu a identidade de seu jornalismo com os apresentadores. E Rachel, há quase dez anos à frente do jornal, se transformou num destes expoentes.

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Isso porque a âncora é prata de casa, tornando-se um rosto conhecido a partir de sua chegada na emissora. Rachel caiu nas graças de Silvio Santos quando um vídeo no qual tecia duras críticas ao carnaval brasileiro viralizou na internet. Isso fez a jornalista ser contratada pela emissora, assumir o principal jornal da casa e ter a liberdade para opinar sobre os assuntos do jornal.

Com isso, o SBT resgatou a figura do âncora, que não apenas lê as notícias, e que já havia sido o diferencial da emissora no passado, quando lançou Bóris Casoy. Porém, a liberdade de opinião de Rachel Sheherazade durou pouco, e ela acabou proibida de fazer comentários na bancada, tornando-se apenas uma leitora de notícias.

Ainda assim, este tempo todo no ar a transformou no principal nome do jornalismo do SBT. O que não é pouco, se levarmos em consideração que grifes como Ana Paula Padrão e Carlos Nascimento já passaram pela bancada do telejornal. Rachel se firmou como apresentadora e, goste-se ou não do trabalho ou das opiniões dela, o fato é que ela funcionou muito bem ali.

Esvaziamento

Em todos os anos de Rachel Sheherazade à frente do SBT Brasil, grandes nomes passaram pelos jornais do SBT. Profissionais como Joyce Ribeiro, Karyn Bravo, Rodolpho Gamberini ou César Filho tiveram bons momentos à frente de noticiários da emissora, mas foram deixando o canal, ou sendo dispensados. Isso sem falar de Hermano Henning, que era o nome do jornalismo do SBT mesmo na época em que o canal não tinha jornalismo. Todos saíram.

Atualmente, além de Rachel Sheherazade, Carlos Nascimento e Roberto Cabrini figuram entre os maiores nomes do jornalismo do SBT. Porém, Cabrini comanda seu próprio programa e não faz parte dos jornais diários. Enquanto isso, Nascimento está afastado por ser grupo de risco da covid-19. E há quem diga que ele pode não renovar seu compromisso com a emissora de Silvio Santos.

Assim, se Rachel Sheherazade realmente sair, o jornalismo diário do SBT se verá sem nenhum grande nome. Isso sem falar na atual linha editorial, completamente subserviente ao governo e sem qualquer aprofundamento no trato aos fatos do dia. O jornal se dedica à agenda e ao factual trivial, sem se permitir uma melhor interpretação dos acontecimentos.

O fato de o principal jornal do canal estar no piloto automático, ao mesmo tempo em que o duvidoso Primeiro Impacto ocupa tanto espaço na grade, mostra o quão grave é a atual crise no jornalismo do SBT. Neste contexto, a perda dos nomes que seguraram o rojão até aqui pode ser a pá de cal definitiva.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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