Edson emociona em Pelé, documentário feito pra inglês ver

Documentário se perde ao querer abordar mais política do que o futebol do Rei

Publicadohá pouco tempo
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Edson Arantes do Nascimento, 80 anos completados em outubro de 2020, adentra a sala da sua casa de praia sentado numa cadeira de rodas para uma resenha com seus “parças”. Eles relembram grandes momentos dentro e fora dos campos nos anos 1950 e 1960. É um dos melhores momentos do documentário Pelé, em cartaz na Netflix.

O “Rei” ainda se emociona e chora em outros depoimentos, e até faz batuque numa caixa de engraxate similar à que trabalhou na sua infância de menino pobre.  

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O documentário feito para o mercado internacional privilegia a carreira excepcional do maior craque do futebol de todos os tempos na Seleção Brasileira.

O filme começa e termina com a sua participação na Copa de 1970, no México, quando Pelé teve com o tricampeonato mundial sua maior coroação. Ele jogou nas três Copas em que o País tinha sido campeão até então: 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México).

Ah, os ingleses

Quem mais senão uma dupla de diretores ingleses (Ben Nicholas e David Tryhorn) daria tanto espaço no longa-metragem para a única Copa que o Rei perdeu? Foi exatamente o Mundial de 1966, quando ele se contundiu e a seleção canarinho foi eliminada precocemente da competição, para a glória da Inglaterra na sua única Copa conquistada até hoje.

Mas há imagens preciosas no filme, especialmente as antigas. As melhores são do longínquo 1958 (na Suécia), com um Pelé consagrado ídolo aos 17 anos de idade. Quatro anos depois, no Chile, mais registros históricos com o bicampeonato da Seleção.

Entrevistas internacionais do jogador falando em português e imagens e descrições pouco conhecidas de sua primeira mulher, Rosemeri, também são ótimos achados.

Já as cenas dos jogos de 1970 no México pecam pela má qualidade de imagens colocadas na obra – qualquer documentário de nossa televisão já exibiu material muito melhor destes jogos. Em 2020, ano do cinquentenário da nossa conquista da Taça Jules Rimet no México, nossas emissoras de TV nos brindaram com um festival de belas imagens desta Copa.

Outro momento memorável registrado no filme é o milésimo Gol de Pelé, no estádio do Maracanã, celebrado com grande festa em 1969 e feito pelo time original do jogador, o Santos, seu único clube no futebol brasileiro.

Entre uma e oura imagem histórica, temos depoimentos de jornalistas esportivos (Juca Kfouri e José Trajano, entre eles) que se mesclam a entrevistas com nomes do futebol como Rivelino, Zagallo e Jairzinho.

Mas… e a política?

Ainda, acharam importante incluir opinião de algumas personalidades da política nacional como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a deputada federal Benedita da Silva e o ex-ministro de governos militares Antonio Delfim Netto.

Num roteiro que quis sobrepor o contexto político à própria gênese do futebol na cultura popular brasileira, o tempo todo Pelé é estimulado a opinar sobre a ditadura militar e a importância de suas conquistas para o regime. Vale lembrar que, quando a ditadura foi instaurada no País, tanto a seleção quanto Pelé já eram bicampeões mundiais.

A própria trajetória de Pelé nas conquistas nacionais, sua história no Santos e outros aspectos de sua vida pessoal não mereceram tanto destaque no filme, ao longo de quase duas horas.

Para quem quiser saber mais, melhor buscar no título Pelé Eterno (2004), de Aníbal Massaini Neto, que tem roteiro brilhante de José Roberto Torero, com belo texto de Armando Nogueira. Ali, tem até um gol que ninguém filmou mas que foi reconstituído e testemunhado por muitos como sendo o mais bonito dentre os 1.283 tentos da carreira do Rei.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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