Documentário Erasmo 80 é pouco para o Tremendão

Especial sobre o cantor e compositor foi feito pela equipe do Conversa com Bial e está no Globoplay

Publicado em 27/8/2021
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O original Globoplay Erasmo 80, que estreou em julho na plataforma, é pouco para a grandiosidade do músico. Erasmo Carlos é merecedor de um documentário mais abrangente, dada a sua importância no cenário do pop rock nacional desde os anos 1960.

O programa tem como base um palco montado na casa no Joá (zona Oeste), com bela vista para a praia do Joatinga, no Rio de Janeiro. Sentado, ele canta e toca o violão acompanhado de alguns músicos, dando seus depoimentos entre uma canção e outra. Ao longo do especial, vêm hits como Festa de Arromba, É Preciso Saber Viver, Mesmo que seja Eu, Gente Aberta e Panorama Ecológico. Tantas outras ficaram de fora, bem como suas histórias.

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Imagens de arquivo mostram as origens do movimento musical que ficou eternizado como Jovem Guarda e consagrou Erasmo como Tremendão. Há algumas breves entrevistas, com declarações do amigo de mais de 50 anos, Roberto Carlos. Mas faltam histórias sobre uma das duplas mais importantes da história da nossa música no século XX.

Erasmo Carlos dá entrevista para Nelson Motta: cena de arquivo no documentário Erasmo 80, do Globoplay, Foto: Reprodução/Globoplay

Sequer a outra integrante da parceria que tornou o trio sinônimo da Jovem Guarda, a intrépida Wanderléa, dá as caras. Nem outros remanescentes daquela onda de música jovem que tanto incomodou os purista da MPB da época. Afinal, em 1967, até Elis Regina, Gilberto Gil, Edu Lobo e Jairzinho fizeram uma marcha contra a presença da guitarra elétrica na música popular brasileira!

Dos três da Jovem Guarda, aliás, Erasmo Carlos foi quem mais manteve as fortes características do movimento ao longo de toda sua carreira, tanto nas escolhas musicais como na simbologia replicada pelo visual e estilo de vida: roupas de couro, pulseiras, chapéu de cowboy. Além das gírias popularizadas na época, que o acompanham até hoje.

O Tremendão, ao lado de todas as parceiras em composição com o rei Roberto Carlos, ainda seguiu uma trajetória solo de barulho e irreverência na música popular. No cinema, ele até ganhou um prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) como melhor ator coadjuvante pelo longa-metragem Roberto Carlos a 300 km por Hora, em 1972.

Um bom momento do documentário é quando Erasmo Carlos relembra a sua inesquecível – pelo aspecto negativo — participação no Rock in Rio, em 1985. Recebido com vaias, o astro reconhece com elogiável sinceridade que não era mesmo a atração ais adequada para aquele tipo de evento. Afinal, o público tinha ido até lá para ver nomes como Queen, Iron Maiden e Whitesnake.

Uma passagem sem destaque nenhum no documentário é a história da música (Close) e videoclipe para a música de Erasmo Carlos com Roberta Close. Só poderia ter saído da cabeça aberta de um roqueiro a ideia de, no auge dos anos 80, exaltar em letra uma personagem de diversidade sexual – muito embora Erasmo sempre tenha negado que a música tivesse sido feita para Roberta, então uma modelo de sucesso nacional. O especial perdeu a chance de falar do assunto.

No mais, em quase 80 minutos (seria proposital?) do documentário, ficaram faltando mais histórias pessoais e musicais de Erasmo Carlos, que teve uma vida marcada por tragédias pessoais, como a morte da esposa Narinha (1955-1995) e do filho Alexandre (1979-2019), em acidente de moto. Aos 80 anos, o músico é importante demais para o pop rock nacional e merece muito um registro mais abrangente sobre sua trajetória.

A propósito, este Erasmo 80 é assinado pela equipe do programa da TV Globo Conversa com Bial, que já tinha aproveitado as gravações para levar ao ar depoimentos e músicas do especial. Como algumas entrevistas ficaram de fora do especial – por exemplo, com a atual jovem mulher do cantor –, não deve ser difícil acrescentar também este material num complemento ao documentário, já que tantas outras participações do artista na própria TV Globo ficaram de fora.

* As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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