Documentário de Luciano Huck é um caldeirão dos problemas mundiais

2021: O Ano Que Não Começou está no Globoplay, aberto para não assinantes

Publicado em 10/6/2021
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Com acesso a personalidades internacionais e também ao amplo acervo de reportagens e imagens do Jornalismo da TV Globo, o novo documentário de Luciano Huck fala de muita coisa ao mesmo tempo, mas não se aprofunda em nada. 2021: O Ano que não Começou é muito ambicioso na proposta, mas acaba sendo um caldeirão de problemas globais. Parece feito para ser apresentado numa sessão de filmes da ONU (Organização das Nações Unidas). O documenário estreou no GNT e está disponível no Globoplay, aberto também a não-assinantes.

O apresentador, que assina a produção executiva do documentário, coloca sua fama, carisma e cancha de host de programa de auditório para abordar de uma forma extremamente simplificada e superficial um turbilhão de problemas globais: pandemia, racismo, meio ambiente, fome, educação, desigualdade, política. Cada tema em si renderia um episódio específico.

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Luciano Huck não é assim um Pedro Bial na reportagem, mas manda bem como entrevistador de personalidades difíceis para o grande público, como a ganhadora do prêmio Nobel de economia, Esther Duflo, além de intelectuais e acadêmicos internacionais.

Todos abordam temas grandiosos e que preocupam a todos. Luciano Huck trafega dos tiroteios das favelas do Rio que matam inocentes a questões como a fome na África.

O Brasil aparece inserido nesse redemoinho, desde o aluno do Sul que estuda numa cabana para ter acesso à internet à criança negra pedinte de rua.

O telespectador que conhece o programa de Huck na TV Globo pode ficar aflito quando o apresentador localiza a menina pobre que troca uma máscara num semáforo por comida. Ao entrevistar a garota e sua mãe por meio de uma videochamada de smartphone, fica a dúvida: o que foi feito da família que estava sem alimento? Alguém ajudou?

É inevitável ficar esperando uma solução assistencialista do tipo Caldeirão do Huck, quando participantes em situação de carência enfrentam desafios, as vezes beirando a humilhação (como ocorre também em diversos outros programa de auditório, verdade seja dita), para atingirem seus objetivos no final e ganharem um prêmio.

Luciano Huck tem se pronunciado de forma politizada mais recentemente, quando veio sendo apontado como uma alternativa a candidaturas políticas, em especial na próxima eleição à Presidência da República – muito embora ele sequer seja filiado a qualquer partido, nem tenha exercido nenhum cargo público em sua carreira.

Ele inclusive aparece em diversas pesquisas sobre intenções de voto. Mas, ao que tudo indica, a carreira de apresentador da Globo continua no topo dos planos de Luciano Huck, com o iminente comando de uma atração dominical em 2022 no lugar do atual apresentador Fausto Silva, que vai deixar a emissora ao final deste ano.

Mas não julguemos o ativismo de Luciano Huck por um mundo melhor apenas pela brevidade deste documentário. O apresentador tem um belo trabalho na área social – é uma iniciativa dele o lançamento do Instituto Criar, em São Paulo. A instituição sem fins lucrativos há mais de uma década forma jovens carentes e os insere no mercado de trabalho da produção audiovisual, com resultados reconhecidos e elogiados pelas empresas.

A pandemia levou o mundo a uma transformação involuntária e dolorosa. 2021: O Ano Que Não Começou é parte do meu olhar curioso e de uma vontade legítima de escutar e aprender. Uma busca por ideias, pensamentos, reflexões e propostas que possam fazer do mundo um lugar possível, mais afetivo e eficiente. Para isso, fui em busca de referências globais do livre pensar e procurei construir pontes. O resultado foi surpreendente”, afirmou Luciano Huck no comunicado oficial do lançamento do programa.

Produção

Cartaz de 2021: O Ano Que Não Começou, atração no Globoplay também para não-assinantes. Foto: Divulgação

Em cerca de 45 minutos, o documentário 2021: O Ano Que Não Começou enumera problemas e paradoxos da situação econômica e política mundial sob o ponto de vista de gente renomada. Participam do documentário: Rutger Bregman, historiador e autor do best-seller “Utopia para Realistas”; Scott Galloway, professor da Universidade de Nova York; Thomas Friedman, vencedor de três prêmios Pulitzer e colunista do jornal “The New York Times”; Peter Diamandis, fundador da Singularity University, Graça Machel, ativista e fundadora do Graça Machel Trust; Thomas Piketty, economista e autor do best-seller “O Capital no século XXI”; Esther Duflo, professora do MIT e vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2019; Nandan Nilekani, cofundador da Infosys; Yuval Harari, professor de história e autor do best-seller internacional “Sapiens”.

Do Brasil, são entrevistados: Preto Zezé, presidente da Central Única das Favelas (Cufa); Silvio de Almeida, advogado, filósofo e professor universitário; Luana Genot, fundadora e diretora-executiva do ID_BR; e Alexandre Mendonça de Barros, engenheiro agrônomo e economista.

A direção geral é de Guilherme Melles, com direção de Fernando Acquarone, roteiro de Giuliana Vallone e André Brandt.

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