Documentário chocante retrata comunidade com práticas nazistas no Chile

Colônia Dignidade mostra como um criminoso foragido da Alemanha viveu livre por quase 50 anos

Publicado em 14/10/2021 18:10
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Uma comunidade baseada em um conjunto de práticas comuns ao nazismo esteve mais próxima de nós do que poderia sonhar nossa vã filosofia.  É o que mostra o incômodo, porém necessário, documentário Colônia Dignidade – Uma Seita no Chile, que entrou recentemente no catálogo da Netflix.

É um documento histórico em seis episódios, com acervo cinematográfico impressionante e, acima de tudo, um registro muito sério de como a história é capaz de se repetir como tragédia mesmo.

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Separado por uma cordilheira e sem fronteira física direta com o Brasil (há parte do território da Argentina no meio dos dois países), o Chile abrigou por quase 50 anos um foragido do governo alemão.

Condenado por prática de pedofilia, o ex-soldado do exército de Hitler na Segunda Guerra Mundial Paul Schäfer conseguiu fugir para o país da América do Sul.

Por ali, não se sabe ao certo como, adquiriu uma ampla propriedade rural, onde fundou uma colônia agrícola, oficinas, escola e até um hospital.

Chamado Colônia Dignidade, o local atraiu imediatamente mais 300 cidadãos da Alemanha, que imigraram para o Chile no pós-Guerra .

Seita

Muitos deles vieram com filhos bem pequenos, que logo foram separados dos pais para serem criados por amas (as chamadas “tias”).

O local se tornaria uma espécie de seita cristã fechada, com práticas religiosas, educativas e medicinais aliadas a uma rígida disciplina de trabalho não remunerado.

Acontece que ao longo dos anos a Colônia Dignidade também serviu para abuso sexual de crianças, alemãs e também chilenas, que eram adotadas.

Por mais que os habitantes nativos da localidade estranhassem a presença de exóticos vizinhos, as autoridades chilenas não deram a devida atenção àquela estranha comunidade.

Colônia Dignidade – Uma Seita no Chile, documentário sobre um campo com práticas do nazismo no país da América do Sul. Foto: Reprodução/Netflix

Depoimentos

A série é cronológica, contando os fatos pela ordem dos acontecimentos, mas eles são entremeados por depoimentos de sobreviventes e de pessoas que passaram a vida ou conheceram a comunidade.

Colônia Dignidade é bilíngue, ora se falando no original alemão – língua corrente na colônia –, ora se falando em espanhol.

Pouco se esclarece como o país sul-americano desde 1961 abrigou sem questionamento o criminoso travestido de pastor e empreendedor Schäfer.

A comunidade foi formada a 350 quilômetros ao sul da capital, Santiago, num local sem infraestrutura e de solo e natureza selvagens, com habitantes muito pobres nas redondezas.

Nos anos 1970, quando o Chile ingressou na ditadura militar do general Augusto Pinochet, a Colônia Dignidade serviu como central de tortura e desova de cadáveres de opositores do regime, conforme atestam os depoimentos e registros do documentário.

Autopropaganda

A série documental da Netflix só foi possível dada a prática do próprio Schäfer de filmar muito a comunidade, como forma de propaganda positiva — o regime nazista também sabia muito bem utilizar o cinema para sua autopromoção.

Também foi graças ao esforço de produtores da Alemanha que o documentário foi viabilizado.  A direção é de Wilfried Huismann e Annette Baumeister.

Ao final do documento, ficam duas perguntas, que cabem aos povos de cada país exigir dos seus governantes:

1) Como os chilenos permitiram que isso acontecesse em seus domínios?

2) Como os alemães aceitaram se submeter a tais condições, sem reagir – eles eram praticamente escravos ali — e de forma tão subserviente?

As respostas não são fáceis de se obter.

Mas podem ser traduzidas atualmente em vários pedidos de indenização que proliferam contra o governo da Alemanha, conforme relatam reportagens que foram publicadas por ocasião do lançamento do documentário.

O trailer de Colônia Dignidade  (Colonia Dignidad – Aus dem Innern einer deutschen Sekte /2020) pode ser visto aqui:

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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