Diário de um Confinado fascina mais pelos bastidores do que pela série em si

A informação de que a série é gravada na casa do ator é o maior trunfo

Publicado há um mês
Por André Santana
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Driblando as dificuldades da quarentena, a Globo vem usando de seu banco de talentos e suas múltiplas plataformas para trazer novidades. E Diário de um Confinado surge como uma das produções mais originais deste contexto. Criada e gravada na casa de Bruno Mazzeo, a atração também está no Globoplay e em canais Globosat.

A temática, claro, é a pandemia. Mas com o olhar terno e curioso do humor. Diário de um Confinado não tem a pretensão de fazer um tratado sobre a covid-19. Apenas explora as pequenas loucuras humanas em situações adversas. Na trama, Murilo (Bruno Mazzeo) é um homem confinado há semanas, tentando lidar com a situação de estar preso em casa da melhor maneira possível.

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Momentos reconhecíveis por quem está confinado surgem a todo o momento. Contato com amigos e parentes por chamadas de vídeo, a dificuldade de manter a casa em ordem, o humor inconstante e as pequenas paranoias hipocondríacas ganham uma leitura bem-humorada nesta série.

Trata-se do bom humor da crônica, que é típica da obra de Bruno Mazzeo. Misturando depoimentos fictícios com pequenos esquetes, Diário de um Confinado não difere muito de outras séries do ator e roteirista, como Cilada e Junto e Misturado. Fazer graça de situações comuns é uma constante nestes programas, e em Diário de um Confinado não é diferente.

E funciona. Diário de um Confinado não tem a pretensão de arrancar grandes gargalhadas do público, mas provoca sorrisos involuntários a cada situação reconhecível. Em suma, não traz nada de novo, mas diverte.

Bastidores

No entanto, o fascínio de Diário de um Confinado se dá em razão de seus bastidores. A série ganha uma nova dimensão quando se tem em mente que ela foi criada e gravada na casa do protagonista, dirigida por Joana Jabace, sua esposa. Saber que Débora Bloch é a única atriz que contracena fisicamente com Mazzeo porque ela é vizinha do artista é outra curiosidade saborosa.

E mais: participações especiais luxuosas feitas por videochamadas, com nomes como Renata Sorrah e Fernanda Torres, também gravadas de suas casas, dão a Diário de um Confinado um ar de experimentação muito curioso. Assim, a grande contribuição da série à televisão brasileira não é o seu resultado no ar, mas o que ela significou nos bastidores.

Diário de um Confinado mostra uma reinvenção da produção audiovisual muito interessante. Uma produção gravada em casa, com uma equipe de produção que trabalhou remotamente, e que, no ar, mostra um apuro técnico impecável é, sem dúvidas, um caso de sucesso de produção em tempos de dificuldade.

Claro que não é o ideal. E, óbvio, o contexto é trágico. Mas Diário de um Confinado mostra que é possível produzir com qualidade em situações adversas. É a vitória da criatividade.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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