De volta na Globo, Império tem questões polêmicas que podem ter envelhecido mal

Trama de Aguinaldo Silva tem polêmicas que podem não passar batido desta vez

Publicadohá pouco tempo
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Império, a nova edição especial do horário nobre da Globo, reforça a imagem de curinga do autor Aguinaldo Silva. O novelista se despediu do canal após O Sétimo Guardião (2019), mas deixou um valoroso arquivo que vem “salvando” a emissora neste momento de dificuldade em produzir novelas. O sucesso de Fina Estampa, no ano passado, mostra isso.

No entanto, por mais que Fina Estampa tenha repetido seu sucesso original na reprise, o retorno também mostrou que a trama envelheceu mal. Muito do que passou sem maiores consequências na primeira exibição, como o machismo de Quinzé (Malvino Salvador), ou as constantes humilhações sofridas por Crô (Marcelo Serrado), se mostraram problemáticas no repeteco.

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Mas e Império? Teria envelhecido tão mal assim? Bom, pra começar, é preciso salientar que Império foi a volta de Aguinaldo Silva às sagas mais pretensiosas. Depois da farofada que foi Fina Estampa, Império veio com uma pegada mais séria, com elementos que lembram Senhora do Destino (2004) ou Duas Caras (2007).

Entretanto, a grande “inspiração” de Silva para sua obra foi Suave Veneno (1999), trama de sua autoria que não fez muito sucesso na época. A espinha dorsal, do homem de origem humilde que fez fortuna e se vê diante de uma batalha familiar pelo controle de seus negócios, é exatamente a mesma.

Seu grande mérito é o protagonista. O Comendador José Alfredo foi um personagem forte, marcante, que destoou da pegada das novelas da época, que vinham de várias protagonistas mulheres. O tipo, cheio de cacoetes e manias, foi muito bem encarnado por um inspirado Alexandre Nero e, não por acaso, é um de seus personagens mais lembrados.

Controvérsias

Mas há alguns pontos de Império que poderão ser recebidos com alguma diferença nesta reapresentação. Um deles é a relação entre o Comendador e Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), que causou desconforto até mesmo na primeira exibição. O tom infantilizado da relação, além do fato de José Alfredo mantê-la em um apartamento, apenas a esperar por ele, pegou muito mal.

Tanto que, aos poucos, o relacionamento entre eles vai mudando, ganhando contornos de um amor verdadeiro, e não apenas um jogo de interesse. Além disso, Maria Isis começa a mudar de atitude, buscando viver sua vida independentemente de ser sustentada pelo amante. A virada funcionou na época. Funcionará hoje, num momento em que o abuso anda sendo discutido mais incisivamente?

Outro ponto é Téo Pereira (Paulo Betti), jornalista homossexual que mantém um blog de fofocas. Os trejeitos caricatos e a maneira pouco ética com que levava seu trabalho também se mostraram bastante controversos. Na verdade, o autor utilizava o personagem justamente para atacar alguns desafetos na imprensa especializada.

Xana Summer (Aílton Graça) também pode gerar polêmica, tendo em vista que a maneira como ela é tratada vai mudando no decorrer da trama. Tanto que até o pronome com o qual se referem a ela muda no decorrer dos capítulos. No início, é “a” Xana, uma travesti. Mais adiante, se torna “o” Xana, um crossdresser. E o personagem chega a se envolver amorosamente com Naná (Viviane Araújo). Uma mudança que pode pegar mal diante do debate sobre diversidade sexual.

Ou seja, Império tem todas as características de um novelão. Mas também tem vários pontos ditos “polêmicos”, algo que Aguinaldo Silva adora, aliás. Como estes temas serão recebidos depois de sete anos é o que veremos a partir desta segunda-feira (12).

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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