Da comicidade ao drama: a evolução do vício de Silvana em A Força do Querer

A autora Gloria Perez faz uma boa abordagem do vício em jogo em sua novela

Publicado há 9 dias
Por André Santana
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Silvana é um dos grandes destaques de A Força do Querer. A personagem de Lilia Cabral consegue nos fazer rir e chorar a partir das mais variadas situações em que se mete para sustentar o seu vício em jogo. E ela consegue despertar esta empatia junto ao público pela maneira como Gloria Perez leva a sua trajetória.

No início, a história de Silvana causa estranheza. Afinal, sabe-se que o vício em jogo é um problema muito sério, que destrói vidas e provoca tragédias. Mas, no início de A Força do Querer, as “desventuras” de Silvana são sempre levadas em tom cômico. São situações que se repetem, como num esquete de Zorra Total.

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Silvana gosta de jogar, mas o marido Eurico (Humberto Martins) não aprova. Por isso, ela arma as mais diferentes situações para conseguir ir para seu carteado, enquanto o enrola das mais variadas maneiras. São mentiras inocentes, quase pueris. E que ainda são colocadas sobre aquela trilha cômica indefectível que, com o carisma da atriz, deixa tudo muito divertido.

Entretanto, a cada nova mentira, Silvana começa a se ver diante de problemas realmente sérios. De repente, a história dela deixa de ter graça. A arquiteta perde carro, dinheiro e até rouba o próprio marido. Mas a situação só fica mesmo insustentável quando ela é presa pelo dono de um cassino clandestino, que ameaça liberá-la apenas quando ela pagar o que deve.

Neste momento, Silvana tem um primeiro grande choque. Desta vez, é sua própria vida que está em risco. Por conta de um revés do destino, ela consegue sair sem precisar convocar o marido. E isso a coloca num estado de alerta. Silvana finalmente percebe que seu vício lhe traz problemas e ela decide parar.

Neste ponto, o drama aumenta. A crise de abstinência a ataca, ao ponto de ela perder o controle. Isso a levará a se colocar em risco novamente. Com isso, sua história chega ao ápice. E o tom muda totalmente: não há mais trilha cômica, e sim toda a dramaticidade latente de um problema que, infelizmente, acomete muitas pessoas.

No fim, a abordagem do vício em jogo de A Força do Querer se mostra muito acertada. O tom cômico inicial serve para que o espectador crie uma relação de afeto e cumplicidade com Silvana. E assim, quando o drama fica mais intenso, o público já está completamente envolvido na situação. E compreende melhor tudo o que se passa com ela.

Além disso, essa mudança de tom emula a própria realidade. É comum um vício ser levado na brincadeira na vida real. Porém, quando os problemas começam a surgir, é que se percebe que a coisa é séria.

Ou seja, a mensagem sobre o perigo da jogatina é passada para o público com sucesso. Gloria Perez é mestra em fazer merchandising sociais que, antes de serem merchandising sociais, são histórias. Boas e envolventes histórias, que pegam o público pela emoção. E não uma cartilha que “vomita” o que é certo e o que é errado.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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