Conversa com Bial aposta no “papo cabeça” e não garante liderança à Globo

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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É preciso reconhecer que a Globo foi ousada quando decidiu substituir o tradicional Programa do Jô pelo novo Conversa com Bial. Quando se viu cercada por dois jovens “discípulos” de Jô, Danilo Gentili e Fabio Porchat, a emissora dos Marinho foi na contramão. Apostou num programa de entrevistas com menos graça e mais informação. E, pouco mais de um ano depois, é possível observar que o papo mais sério de Pedro Bial não garante a liderança da Globo na audiência.

Conversa com Bial vem se destacando pela diversidade de temas apresentados. Na última semana, o talk show de Pedro Bial tratou de diversos assuntos importantes e polêmicos. No dia 16, por exemplo, falou de racismo, com a presença de Zezé Motta e outros convidados, que lembraram do livro “Quarto de Despejo”. No dia 17, o assunto foi ainda mais espinhoso, com uma conversa franca sobre tratamentos paliativos de doentes terminais. Já no dia 18, a conversa foi sobre maconha. E no dia 19, para promover um “respiro”, a conversa foi mais descontraída, com a presença do cantor Gusttavo Lima. Uma ótima entrevista com Angela Ro Ro encerrou a semana, no dia 20. Mas ontem (23), o papo voltou a ser “cabeça”, com uma conversa sobre a obra da escritora Hilda Hist, tendo como mote uma cinebiografia da artista.

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O tempo do programa não permite aprofundar tanto os temas. Mesmo assim, Conversa com Bial é bem menos superficial que a média da TV aberta brasileira. E manter o espectador insone ligado em assuntos como os tratados ao longo da semana passada não é tarefa fácil. Por isso mesmo, a atração não consegue se manter líder sempre. E não é apenas a concorrência com o The Noite que dá dor de cabeça a Pedro Bial. A atração, em vários dias da semana, concorre com filmes e A Praça É Nossa, do SBT. E nem sempre tem força para “combatê-los”.

Conversa com Bial parece programa de TV paga

Na verdade, o grande desafio do Conversa com Bial é mostrar que a TV aberta pode sair do lugar-comum. E que é possível oferecer um conteúdo mais relevante. Programas com esta essência são comuns em emissoras como a TV Cultura, ou canais pagos. Não por acaso, Conversa com Bial tem reprises na GloboNews, e realmente parece um programa original do canal de notícias do Grupo Globo. Mas na TV aberta, trata-se de um formato que ainda causa certa estranheza.

Sendo assim, não há muito o que ser feito para buscar a liderança no horário a não ser esperar. A Globo não pode cair na tentação de “popularizar” o Conversa com Bial. Afinal, o canal trouxe algo novo para sua grade e, como qualquer novidade, leva tempo para que se crie o hábito. Porque mesmo não garantindo a liderança na audiência, Conversa com Bial tornou-se uma opção diferenciada nas madrugadas da TV aberta. E é este seu grande trunfo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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