Com “produção caseira”, Conversa com Bial retoma a raiz do talk show

Em nova temporada, atração da Globo se rende à videoconferência e valoriza a entrevista

Publicado há 3 meses
Por André Santana
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O programa de entrevistas sempre fez parte da história da TV. E neste momento de isolamento social, acompanhar uma boa conversa se tornou um programa ainda mais necessário. Por isso, a direção da Globo acertou em cheio ao retomar o Conversa com Bial, feito da casa do apresentador e baseado em videoconferências. Com a mudança, a atração de Pedro Bial valorizou a entrevista e o entrevistado, dando protagonismo à conversa de fato e retomando a raiz do talk show, feito com uma cadeira e um entrevistado que tem o que dizer.

Desde a sua estreia, em 2017, o Conversa com Bial sempre se mostrou uma alternativa aos night shows. Ao substituir Jô Soares, um showman que fazia suas entrevistas baseadas no humor, Bial deu um tom mais jornalístico à sua arena de perguntas. No entanto, não fugiu de alguns elementos que pareciam imprescindíveis para o formato, como a plateia, a banda ao vivo e até a caneca (ou copo) com bebida. Assim, a atração veio com a proposta de valorização da entrevista e do entrevistado, mas tendo ao seu redor outros elementos que garantiam o tom de show.

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Agora, não. Totalmente centrado na videoconferência, Conversa com Bial perdeu todo o lado de “show” e se tornou um programa de entrevistas “raiz”. Esta nova temporada resgatou um formato clássico, com entrevistador e entrevistado “frente a frente” (neste caso, de frente, mas à distância), num tipo de talk show que consagrou grandes jornalistas, como Ferreira Netto e Marília Gabriela. E funcionou muito bem, já que reúne convidados que têm o que dizer com um apresentador que sabe perguntar.

Além disso, Conversa com Bial mostra que é possível fazer uma televisão simples e eficaz. Num momento em que se exige criatividade e até soluções improvisadas para seguir produzindo, o programa perdeu qualquer pudor com uma possível falta de recursos, passando o recado claro que qualquer dificuldade técnica pode ser relevada quando há um bom conteúdo sendo exibido. Na estreia, com Pedro Bial conversando com Glória Maria, o som nem sempre era dos melhores, assim como a imagem de Glória, às vezes meio “quadriculada”. Mas isso perde importância diante do bom papo que aconteceu entre os dois colegas. Foi uma excelente e promissora estreia.

70 anos de TV

Na estreia, Pedro Bial mostrou cenas e resgatou a história da televisão brasileira, dando a tônica do que será esta temporada. Conversa com Bial promete entrevistas com personagens importantes da história da TV, para resgatar momentos e debater o futuro do veículo que desperta tantas paixões. É um mote e tanto numa temporada que será marcada pela reinvenção, no melhor sentido, de seu próprio formato.

Assim, adaptado ao novo tempo, Conversa com Bial promete boas conversas no fim de noite da Globo. Mais uma boa opção de entretenimento neste momento em que as produções estão estacionadas.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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