Com produção atual pálida, SBT sobrevive apostando em nostalgia

Emissora perdeu a capacidade de provocar frisson em seu público

Publicado em 31/5/2021
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Zapeando pela programação diária do SBT, podemos encontrar Patrícia Abravanel dando uma dica qualquer ao público do Vem pra Cá, Christina Rocha mediando brigas familiares e Ratinho apresentando seu enésimo calouro. Em comum, são atrações que parecem incapazes de gerar algum tipo de frisson no público que acompanha o canal de Silvio Santos.

No entanto, quando o SBT decide abrir o seu arquivo, os espectadores vêm abaixo. A boa repercussão do Programa Silvio Santos deste domingo (30), que reapresentou pérolas como Show do Milhão, Porta da Esperança e Qual É a Música? Mostra que a força da emissora está mesmo na nostalgia.

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Cria da efervescência meio cafona dos anos 1980, o SBT parecia a emissora popular feita para aquele tempo. Da grade cheia de desenhos antológicos, aos shows de auditório com cenários feitos de gliter e luzes piscantes, o canal era mesmo uma imagem de seu tempo. Com isso, provocou uma conexão imediata com seu público.

Pois foi justamente esta conexão que se perdeu com o tempo. Até o final da década de 1990, o SBT ainda mantinha aquela temperatura calorosa, que criou um laço afetivo com a audiência. É um laço tão forte, que não mais se desfez, mesmo com a programação mais pálida dos últimos anos.

Calor humano

O que parecia mover o SBT em seus áureos tempos era o calor humano. A emissora, quando não pendia para excessos, fazia uma programação popular no melhor sentido da palavra. Seus apresentadores diante de auditórios barulhentos irradiavam uma energia que era quente, fazendo do público de casa cúmplices.

Isso não existe mais. O SBT atual, até mesmo antes da pandemia, já havia perdido este calor. Os atuais comunicadores nem de longe repetem a conexão criada pelos que vieram antes. Os auditórios já não são barulhentos, o palco já não ferve mais. Os formatos prontos dominam, sem repetirem um frisson. Há quanto tempo o canal não tem um fenômeno comparável ao Show do Milhão ou à Casa dos Artistas?

Assim, restou ao público do SBT apenas reverenciar o passado. Se o presente já não oferece atrações capazes de reafirmar tais laços, uma revisita ao passado ao menos relembra o público aquela energia que não mais existe. Não por acaso, a emissora adora uma reprise, e Chaves foi seu carro-chefe por anos.

As “edições de colecionador” dos programas de Silvio Santos mostradas neste domingo apenas comprovam tudo o que foi dito aqui. Há um passado glorioso, cuja revisita nos causa uma sensação boa. E um presente apático, sobre o qual não há muito o que esperar.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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