Com padrão Hollywood, série brasileira Dom retrata o playboy bandido

Produção brasileira original da Amazon Prime Video é baseada em fatos reais

Publicado em 4/6/2021
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Sobre pais e filhos, há o velho ditado que diz: “Quem sai aos seus não degenera”. A série Dom, no entanto, conta em forma de superprodução hollywoodiana como o destino prega peças e um filho amado e bem criado pode optar por um caminho exatamente oposto ao que sua família planejou. O resultado quase sempre acaba em desilusão e tragédia.

A série de ação com cenas eletrizantes tem oito episódios de uma hora cada e estreia nesta sexta-feira (4), para os assinantes do streaming Amazon Prime Video. É um drama policial com inspiração na história real do carioca Pedro Dom, que chegará a todos os países onde a plataforma está presente, com dublagens e legendas em 30 idiomas diferentes.

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O seriado surgiu a partir da iniciativa do diretor Breno Silveira, da produtora Conspiração, que assume também a função de showrunner, uma espécie de realizador, tendo ainda participado do roteiro.

Maior aposta da Amazon em produção brasileira até aqui, o projeto se mostrou tão grandioso que a marca designou um expert em roteiro dos Estados Unidos, para dar aquela boa ajeitada na história. Ele ajudou a alinhavar um enredo grandioso, que abrange três décadas de história do Rio de Janeiro e do Brasil, até ficar na medida para se candidatar a hit internacional.

A produção chama atenção pelo gigantismo; só poderia ter sido executada no período pré-pandemia – as filmagens terminaram exatamente em março de 2020 e todo o trabalho de pós-produção correu desde então. Não há cenas de estúdio; foram mais de 170 locações diferentes, com um total de 164 atores. Rio de Janeiro/RJ, Bahia, Recife/PE e João Pessoa/PB foram algumas das localidades da produção.

Houve caracterizações diferentes para três cenários em favelas, a fim de fazer cada uma delas adequada a uma década (1970, 1990 e 2000). Aliás, cada período tem caracterização irrepreensível e as épocas vão se alternando ao longo dos episódios. Há de se destacar como um todo a excelente cinematografia da obra – Adrian Teijido (de Gonzaga, O Palhaço e Marighella) é um dos seus diretores de fotografia.

A série

A depender do olhar que o espectador tiver, Dom sugere várias leituras. Pode ser assistido sob o viés da politização da origem do tráfico no Rio de Janeiro. Pode ser sentido como uma história de drama pessoal e familiar. Ou pode simplesmente ser interpretado como um retrato do fascínio que vício e luxúria podem despertar no ser humano, independentemente de sua origem social e do amor que se tenha recebido da família. Fico com esta terceira via.

Pedro Dom foi um personagem da zona sul carioca que permeou os noticiários do final dos anos 1990 até o começo dos anos 2000. A história em si é fascinante. Bem nascido e bonito, o rapaz ingressou ainda adolescente no mundo das drogas, tendo se viciado em cocaína. A família fez de tudo para livrá-lo do vício, com mais de dez internações em caras clínicas de reabilitação.

Do vício ao crime, foi um pulo. Nada o tirava dessa vida, nem mesmo a detenção na antiga Febem, quando ainda era menor de 18 anos. Líder de uma gangue de assalto a residências, Dom intrigou a imprensa e até inspirou Toni Belotto, do Titãs, a escrever um livro sobre sua história.

Mas foi a partir da narrativa do próprio pai de Pedro Dom, Victor Dantas, que surgiu a ideia do seriado. Ele procurou pessoalmente o diretor Breno Silveira.

O enredo que o pai levou ao diretor era em si um presente dos deuses. Quem não ia se interessar por um relato sobre um playboy bandido, dividido entre a família classe média da zona sul carioca e o crime em meio a festas regadas a drogas e bebidas na favela próxima? Tudo cercado de belas garotas nos bailes funk.

Acontece que a história do pai policial seria tão boa de ser contada quanto a do filho. Vale lembrar que relação entre pai e filho é um tema caro ao diretor Breno Silveira – ele assina a direção de Dois Filhos de Francisco (2005).

Dom, à frente de sua gangue de roubos a residências. Foto: Divulgação

Superprodução

A escalação do elenco foi mais do que acertada. Gabriel Leone (escolhido na seleção de atores pelo sorriso, de acordo com o diretor) está irresistível com seu Dom. Flavio Tolezani, no papel do pai, tem também uma interpretação marcante. Destaque ainda para a atuação do talentoso Filipe Bragança como Victor mais jovem.

Na vida real, Pedro Dom morreu em 2004. Mas o seriado não esgotou todas as possibilidades da história e o próprio Breno Silveira deixou no ar durante a entrevista a possibilidade de haver outras temporadas.

Gabriel Leone sofreu uma transformação física para incorporar o personagem, em quatro meses de filmagens: ficou loiro e fez uso de lentes de contato azuis. Ele diz que se sentiu privilegiado em poder construir sua interpretação, já que a história foi filmada em ordem cronológica e ele assim conseguiu vivenciar as nuances do personagem.

Flavio Tolezani, que já tinha vivido um viciado em crack na mininovela Verdades Secretas (de 2015, onde fez par com Grazi Massafera), diz ter orgulho do papel em Dom e que as experiências ao longo da carreira contribuíram para ele incorporar este agente policial e pai. No elenco feminino, brilham Laila Garin (a mãe de Dom), Raquel Villar e Isabella Santoni.

Uns poderão encontrar alguma glamourização do crime na história. Outros vão achar que há uma visão romântica sobre a natureza do ser humano. Mas com sua abordagem realista dos fatos, Dom não deixa de dar uma sacudida em quem tem uma visão ingênua sobre os males do vício em drogas e seu papel destruidor na vida pessoal e familiar, independentemente de classe social.  

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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