Com humor nonsense, caricato e “metalinguístico”, Ti-ti-ti é ousada até para os padrões de hoje

Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari elevaram o tom cômico da trama

Publicado em 16/6/2021
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Não é difícil entender os motivos que levaram Maria Adelaide Amaral a optar por trazer a trama de Plumas & Paetês para compor o seu remake de Ti-ti-ti. Com a “fusão”, a autora teve a oportunidade de depositar todas as características do folhetim clássico na saga de Marcela (Isis Valverde), enquanto levou o duelo de Victor Valentim (Murilo Benício) e Jacques LeClair (Alexandre Borges) ao limite do nonsense, algo pouco comum numa novela.

Quando Ariclenes e André Spina se encontram, a briga acontece sempre em tom farsesco. Murilo Benício e Alexandre Borges carregam nas tintas da caricatura, em sequências que não se levam a sério. Quando eles empunham o dedo indicador e “duelam” como se estivessem segurando esgrimas, fica clara a intenção de se fazer um humor debochado.

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Enquanto isso, Murilo Benício deu ao seu Ariclenes maneirismos cínicos, mas zombeteiros, como se estivesse numa grande brincadeira. Dá a impressão de que ele está a um passo de cair na risada. Já Alexandre Borges levou sua tradicional canastrice às últimas consequências, com um Jacques que pesa a mão nos trejeitos. O resultado é uma criatura adoravelmente ridícula.

Há ainda um “terceiro elemento” deste jogo, que é a Jaqueline Maldonado de Claudia Raia. No mesmo tom de seus parceiros, Claudia Raia deita e rola na composição da espalhafatosa personagem, que é dona das melhores frases da novela. Com ela, o nonsense impera.

Jaqueline tem sempre uma história do passado bizarra para contar, como quando contou que foi criada por uma avó que “tinha um tapa-olho e uma perna mecânica”. Além disso, seu humor passa pela metalinguagem, como se ela tivesse a consciência de que está dentro de uma novela. As brincadeiras que faz com títulos de clássicos e dos atores com quem contracena (como quando chama Malu Mader de “Fera Radical”) deixam isso claro.

Moderno

Esta salada ofertada por Ti-ti-ti soa moderna até para os dias de hoje. Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari foram ousados ao elevar o tom cômico da obra ao ponto de, em muitos momentos, a novela abraçar o ridículo intencionalmente. Ao não se levar a sério, Ti-ti-ti põe em xeque o seu próprio gênero, como se fosse uma autocrítica bem-humorada. Isso é raro num folhetim.

Surpreendentemente, a mistura deu muito certo em 2010, ano em que foi ao ar originalmente. No entanto, em 2021, a trama já não tem sido tão bem-aceita assim pelo público do Vale a Pena Ver de Novo. Será que ficamos mais “rabugentos” 11 anos depois?

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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