Com Carinha de Anjo, SBT aprimora sua teledramaturgia infantil

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Desde que voltou a investir no filão de novelas infantis, o SBT só colheu bons resultados. Carrossel, Chiquititas e Cúmplices de um Resgate renderam boa audiência, faturaram bastante com licenciamento e se tornaram hits dentro de seu público-alvo. E, a cada nova produção, percebe-se uma evolução, tanto técnica quanto criativa. Por isso mesmo, não é nenhum exagero afirmar que Carinha de Anjo, o atual cartaz, é a melhor novela dentre todas já exibidas desde que a faixa foi criada.

A saga de Dulce Maria (Lorena Queiroz) é absolutamente encantadora. As peripécias da menina realmente divertem, e todos os personagens que orbitam em torno dela têm história para contar. O amor envolvendo seu pai, Gustavo (Carlo Porto), e a agora ex-freira Cecília (Bia Arantes), é do mais básico folhetim e, por isso, atrai tanto as crianças quanto os pais delas. Carinha de Anjo, assim, é um produto mais familiar, diferentemente de Cúmplices de um Resgate, por exemplo, que tinha um apelo mais juvenil.

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Além da trama em si, Carinha de Anjo também acerta a mão no elenco, trazendo atores carismáticos em personagens-chave. É impossível não querer ser amigo da engraçada Irmã Fabiana, vivida por uma simpática Karin Hills. Ou ainda ter uma tia tão exótica quanto a tia Perucas (Priscila Sol), sempre terna e divertida. Eliana Guttman como a Madre Superiora é um acerto, pois a atriz sabe o tom exato entre a afeição materna e a severidade. Isso sem falar em Angela Dippe (a eterna Penélope do Castelo Rá-Tim-Bum, a “tia Perucas” da minha época!), ótima como a mãe modernosa Rosana. A atriz, aliás, repete a excelente parceria com Blota Filho (Silvestre), já vista em Pérola Negra, outro “clássico” da dramaturgia do SBT.

Nos últimos capítulos, Carinha de Anjo vem contando com outras importantes aquisições. A atriz Mylla Christie, sumida das novelas desde Amor e Intrigas, da Record, chegou para viver a psicóloga de Dulce. E a ótima Stella Miranda entrou em cena e vem fazendo ótimas sequências como Noêmia, namorada de Flavio (Eduardo Pelizzari). As brigas entre ela e Haydee (Clarice Niskier), sua sogra, estão impagáveis.

Por fim, Carinha de Anjo tem o mérito de lançar uma nova novelista nos quadros do SBT. Depois de escrever seis novelas praticamente seguidas, Iris Abravanel passou o bastão para Leonor Corrêa, responsável pela atual adaptação, e nos revelou uma ótima novelista. Já sabíamos do talento de Leonor como apresentadora e diretora de TV, mas seu talento para a ficção televisiva foi uma grata surpresa. A autora e sua equipe vêm fazendo uma adaptação inteligente do original de Abel Santa Cruz, mantendo a espinha dorsal da trama e trazendo algumas novidades contemporâneas, como o mundo rural versus o mundo urbano, representado pelos jovens Juju (Maisa Silva) e Zeca (Jean Paulo Campos), ou imprimindo mais comédias nas tramas paralelas adultas.

A boa audiência de Carinha de Anjo é apenas reflexo das inúmeras qualidades da produção. O SBT acertou em cheio.

Encrenca é fraco, mas se destaca em meio ao “chororô” dominical

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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