Bom Sucesso mostra que emoção é ingrediente indispensável para qualquer folhetim

Publicado há um ano
Por André Santana
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Bom Sucesso se despede da programação da Globo nesta sexta (24) com muito a comemorar. Sucesso de público e crítica, a história de Rosane Svartman e Paulo Halm conseguiu atrair a audiência com uma trama leve, divertida, inteligente e que, de quebra, fez uma justa e necessária homenagem à literatura. No entanto, não foram estes os únicos ingredientes que explicam o sucesso da obra. Foi a bela amizade entre Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes) que segurou a plateia. Uma prova de que a emoção é o elemento básico de qualquer bom folhetim que se preze.

Bom Sucesso foi toda construída em torno de um tema difícil. Com seus protagonistas, a novela tratou da efemeridade da vida, e como os bons momentos são fundamentais para uma vida plena e feliz. Pode parecer piegas, mas esta temática foi trabalhada de maneira tão delicada e terna, que se tornou irresistível. A alegre Paloma e o rabugento Alberto, o livreiro com os dias contados, formaram uma dupla improvável, mas que funcionou divinamente. Não somente o texto os uniu de maneira eficiente, como a boa química entre Grazi e Fagundes fez a dupla funcionar.

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Obviamente, Bom Sucesso não abriu mão dos indispensáveis clichês. Paloma, apesar de verdadeira, foi a típica mocinha, envolvida num infalível triângulo amoroso. A relação da heroína com Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior) teve seus percalços e ganhou a torcida da audiência. Mais uma vez, a dupla de autores foi feliz na construção dos protagonistas, já que tanto Marcos quanto Ramon tinham suas inseguranças e imaturidades, mas foram transformados por Paloma.

Violência

A leveza característica de Bom Sucesso fez parte do público estranhar quando a novela das sete aumentou a dose de violência. Inicialmente, crimes e tiros se tornaram mais constantes quando foi iniciado o plot de Elias (Marcelo Faria). O ex-marido de Paloma retornou dos mortos para infernizar a heroína e seus filhos, cometendo muitas barbaridades. A sequência teve direito a perseguições e trocas de tiros, culminando com a morte de Elias.

O problema deste momento de Bom Sucesso foi a falta de sintonia com a obra. A história caminhava por caminhos menos tortuosos, sendo levada por personagens tridimensionais. No entanto, quando Elias surgiu, a trama se tornou sombria e maniqueísta, como numa novela à parte. Ficou claro que a história, embora prevista, surgiu apenas para fazer a novela durar mais. Não convenceu.

O vilão Diogo

O plot envolvendo Elias aconteceu num momento em que Diogo (Armando Babaioff), o “vilão oficial” da novela, desapareceu por alguns capítulos. O sumiço serviu para que ele retornasse poderoso, instalando um clima de vingança no ar. Mais uma vez, parte do público reprovou a condução da história.

No entanto, neste caso, o plot não pareceu desconexo. Diogo sempre foi um vilão com um pé na caricatura. Sendo assim, pareceu natural o processo de “enlouquecimento” do malvado. Sim, é um clichê folhetinesco o vilão enlouquecer na reta final da novela, mas Bom Sucesso nunca tentou fugir de clichês. Apenas buscou utilizá-los ao seu favor. Foi o caso. Diogo foi um ótimo vilão e Armando Babaioff fez um trabalho excepcional.

Elenco

Bom Sucesso também ficará marcada na carreira de outros atores. Grazi Massafera fez, aqui, seu trabalho mais consistente, já que é bem mais difícil convencer como uma mulher comum. Antonio Fagundes, depois de vários trabalhos no piloto automático, entregou aqui um trabalho de composição irretocável. Tanto que a dupla funcionou e foi o grande trunfo da novela.

No entanto, há mais trabalhos para destacar. Romulo Estrela, David Junior, Fabiula Nascimento (Nana), Lúcio Mauro Filho (Mário), Sheron Menezzes (Gisele), Helena Fernandes (Eugênia) e Carla Cristina Cardoso (Lulu) merecem menção. Ingrid Guimarães (Silvana Nolasco) repetiu um tipo que costuma fazer sempre, mas vamos combinar que é um tipo que ela faz muito bem. Foi divertida. Participações luxuosas, como as de Marisa Orth (Isadora), Jonas Bloch (Eric Feitosa), Lavínia Vlasak (Natasha) e Suzana Pires (Virgínia), também foram acertos. Além, claro, da dupla mirim: Valentina Vieira (Sofia) e João Bravo (Peter) emocionaram.

Tantos acertos só poderiam resultar num sucesso incontestável. Em tempos um tanto estranhos, é sempre um alento constatar que uma obra que valorizou a cultura e os bons sentimentos tenha tido uma receptividade tão boa. Sinal de que a esperança é mesmo a última que morre.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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