Band: o que a emissora pode fazer para atrair mais audiência?

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Nos últimos tempos, as dificuldades de audiência e também dos bastidores da Band têm sido assunto frequente no noticiário de televisão. Em meio às iniciativas para afastar Johnny Saad do comando da emissora e lançamentos de novos programas para lutar pela audiência, como a sexta temporada do MasterChef Brasil e a retomada de O Aprendiz, que estreia na casa nova, é inevitável que quem acompanha o mundo da TV pense em estratégias e atitudes que a Band poderia tomar para melhorar seus índices.

Dramaturgia: para além das novelas turcas, investimentos em
variedade

O filão da teledramaturgia de origem turca encontrou na Band sua casa no Brasil. Nos últimos anos foram exibidas diversas produções daquele país, tendo sido As Mil e Uma Noites a primeira delas, a saber, com boa acolhida do público dentro do esperado. No entanto, a atual atração do gênero, Minha Vida, não chamou tanta atenção assim. Sem necessariamente jogar as novelas turcas fora da grade, seria possível oferecer ao público de novelas outras opções. A própria Band produziu novelas de grande valor nos anos 1980 e 1990, que poderiam ser reprisadas à tarde ou mesmo à noite, por que não? Se condições financeiras eventualmente impedem investimentos em produtos inéditos de dramaturgia, reprises de conteúdo nacional ajudariam a refrescar a memória do público em relação ao que a Band já colocou anteriormente no ar.

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Que horário seria ideal?

Dercy Gonçalves como Dulcinéa em Cavalo Amarelo (Reprodução/TV Bandeirantes)

Uma reprise à tarde, diminuindo os programas de esporte e empurrando um pouco o Melhor da Tarde. Poderia atrair o público que já vê novelas na Record TV a partir das 15h e na Globo e no SBT, mais para o final da tarde. Produzidas nos anos 1990, A Idade da Loba (1995/96), da independente TV Plus, e Serras Azuis (1998), da própria Band, seriam boas pedidas. Ademais, para chamar a atenção inicialmente para essa faixa, que tal Cavalo Amarelo (1980), de Ivani Ribeiro? A protagonista desta comédia era “apenas” Dercy Gonçalves.

É preciso chamar de volta para a Band os públicos feminino e infantojuvenil

Natália Leite (Divulgação)

Com efeito, séries também poderiam constar da grade da emissora. O público infanto-juvenil padece da restrição de atrações específicas para sua faixa etária. Seja um programa com música, entrevistas e interação através da internet, seja uma faixa com desenhos e séries, através de um público novo se fidelizaria nova fatia da audiência a longo prazo. Num momento em que a concorrência relega suas séries a horários tardios, oferecer alternativas de qualidade acessíveis ao grande público sempre é bom para se diferenciar.

Com toda a certeza, os programas femininos têm público cativo. Prova disso é o Mulheres, da TV Gazeta, no ar há décadas. E tanto assim que sua apresentadora de muitos anos, Cátia Fonseca, foi contratada pela Band. Ela estreou há um ano na nova casa. Todavia, o público do Mulheres parece ter ficado nele, não acompanhando a apresentadora. Isso não ocorre em virtude de inabilidade de Cátia. A Band precisa rever sua maneira de atrair o público feminino. E pensar em atrações que sejam para a TV aberta. O Superpoderosas, apresentado por Natália Leite em 2018, não era exatamente ruim. Mas tinha cara de programa do GNT, ou do Fox Life.

Programas intermináveis afugentam a audiência

O mundo de hoje não é mais aquele dos anos 1980 e 1990, e mesmo o dos anos 2000, quando os espectadores dispunham de tempo e paciência para programas de duração longa. Especialmente ao vivo. Uma coisa é o Programa Silvio Santos, o Eliana ou o Hora do Faro, longos, porém semanais. Outra é um jornalístico muito comprido de maneira fixa, o que pode torná-lo enfadonho em caso de falta de recursos. Analogamente, tampouco elucubrações que a nada levam em debates esportivos sem maior critério.

A acomodação em esporte na hora do almoço e o cúmulo de dedicar mais de três horas diárias da grade ao Brasil Urgente, em se tratando da praça de São Paulo, demonstram a urgente necessidade de revisão da grade. Mesmo quando falamos de um dos êxitos de audiência da casa, como o jornalístico apresentado por José Luiz Datena. Até que ponto os números satisfatórios representam mais acomodação do público do que desinteresse pela concorrência? O que hoje satisfaz amanhã pode desestimular.

Identidade: que a Band busque uma nova, e use e abuse dela

De reality em reality, com alguns destaques pontuais em seu departamento de jornalismo e após uma sucessão de decisões que se revelaram erradas, a Band perdeu sua identidade. Herdou a identificação com um jornalismo sério e comprometido. Mas perdeu o apelido de “canal do esporte”, deixou de atrair as mulheres, não provoca furor nos noveleiros e no campo dos reality shows deu certo mesmo ultimamente só com um deles. Fugir do anacronismo quando se procura ampliar a penetração em muitas camadas de público é uma tarefa complicada. Mas sentar e esperar que a audiência suba não ajuda em nada.

Uma história que não deve ser desprezada

A Band já deu grandes contribuições para a televisão brasileira em vários gêneros. Movimentou o mercado de teledramaturgia nos anos 1980, representou uma janela para além do futebol nas transmissões esportivas, abrigou grandes valores dos auditórios e foi sinônimo de diversão para os jovens. Com iniciativas focadas neste e naquele setor da audiência, quem sabe os resultados não são favoráveis? É preciso arriscar. Principalmente num mau momento, a fim de evitar que a coisa piore.

*As informações e opiniões
expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou
não refletir a opinião deste veículo.

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