Avenida Brasil tem uma legião de fãs; e tem defeitos também

Novela marcou sua época e faz grande sucesso novamente, mas nem tudo nela é perfeito como pode parecer

Publicado há 4 meses
Por Fábio Costa
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Quando foi exibida, em 2012, a novela Avenida Brasil conquistou uma legião de fãs inveterados. Por mais que sua antecessora Fina Estampa tenha sido mais vista na época, não seria exagero afirmar que a história de Nina, Tufão, Carminha e companhia fez mais sucesso e marcou mais positivamente.

O Brasil daqueles dias era o do primeiro mandato presidencial de Dilma Rousseff. Embora houvesse problemas, como sempre há, em geral o povo brasileiro estava esperançoso, otimista com uma vida melhor diante das mudanças levada a cabo no País nos anos anteriores.

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Avenida Brasil apresentou personagens bastante cativantes e se conectou com o momento em que era exibida. Em sua reprise hoje o sucesso se repete, mas em outras bases. Agora é a história em si, mais do que a ligação com a realidade, que sustenta a relação do público com a novela.

No entanto, essa história, que trata da vingança de Rita/Nina (Débora Falabella/Mel Maia) em relação à madrasta Carminha (Adriana Esteves), que trai o marido com Max (Marcello Novaes), se apossou de um dinheiro que pertencia à menina, fruto da venda de imóvel, e deixou-a num lixão, por mais que tenha virado mania nacional, teve mais falhas do que parece à primeira vista.

Um fator que não devemos esquecer é a quase total falta de integração de um núcleo como o de Cadinho (Alexandre Borges), o empresário que tem três mulheres e empobrece, com o forte da história, que se localiza no fictício subúrbio do Divino.

É bem verdade que os origens de Cadinho e Tufão eram as mesmas e os dois se conheciam da infância. Mas “a vida os separou”, e somente após a derrocada econômica de Cadinho, quando ele vai morar no Divino junto das três mulheres, é que empresário falido e ídolo aposentado dos gramados voltam a conviver.

Embora João Emanuel Carneiro tenha galvanizado a atenção de dezenas de milhões de espectadores, um grande mérito, sem dúvida, Avenida Brasil não é isenta de defeitos, por mais adorada que seja.

Dois temas bastante polêmicos foram abordados através do personagem Roni (Daniel Rocha), mas o primeiro ficou pelo caminho. Sua mãe, Dolores (Paula Burlamaqui), havia abandonado a família e se tornado atriz pornô, sob o codinome Soninha Catatau. Voltou anos depois, supostamente arrependida, convertida em uma Dolores evangélica e cordata.

O outro foi o triângulo formado por Roni, que é gay, com o amigo Leandro (Thiago Martins) e a “periguete” Suelen (Ísis Valverde). O final dos três, sugerindo que passariam a formar um “trisal”, não foi exatamente uma novidade, mas caiu bem.

O esmero de narrativa da primeira parte da história, quando Rita ainda não havia sido descoberta, e mesmo o começo da segunda parte, após a descoberta, acabou se convertendo num enredo mais maniqueísta.

A chegada de Santiago (Juca de Oliveira), o pai de Carminha, pelo meio da novela, e sua conversão em supervilão nos capítulos finais faz pensar no porquê desse “Gepetto” não ter surgido antes.

Pelo menos a mim sua presença soaria meio gratuita e talvez desnecessária, não fosse sua participação no processo de redenção de Carminha ante tanto mau-caráter que sempre a rodeou.

Não resta dúvida de que Avenida Brasil marcou uma época. Numa safra um pouco morna e sem maiores arroubos, ela se tornou referencial de novela de excelência para quem hoje tem cerca de 20 anos.

Isso também se deve à sua grande audiência, item que serve de base para apontar excelência na visão de muitos. João Paulo Reis escreveu um texto bastante interessante a respeito desses parâmetros, leia aqui.

No entanto, não desmerecendo suas qualidades e méritos, por mais compreensível que essa percepção seja é preciso expandir os horizontes para mais obras. Existiu uma TV antes e existe uma depois de Avenida Brasil, e não digo isso no sentido da novela como “divisor de águas”.

E no dia 27 de abril, substituindo Avenida Brasil, está de volta no Vale a Pena Ver de Novo a reprise de Êta Mundo Bom!

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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