Avenida Brasil: o interessante processo de redenção de Carminha

Reta final transforma a vilã em vítima de um homem cruel

Publicado há 9 meses
Por André Santana
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Nesta altura da reprise de Avenida Brasil, na Globo, a trama entra numa fase que destoa um tanto de seu plano original. Isso porque, depois do desmascaramento de Carminha (Adriana Esteves) e da morte de Max (Marcello Novaes), a vingança de Nina (Débora Falabella) deixa o foco. A trama de João Emanuel Carneiro, que chega à reta final no Vale a Pena Ver de Novo, passa a desvendar o passado da vilã, que entrega o posto de malvada-mor a Santiago (Juca de Oliveira) e se torna uma anti-heroína nesta parte derradeira.

Neste momento, a Carminha cheia de confiança sai de cena. Seu vigor se apaga para dar espaço a uma Carminha acuada, temerosa diante dos desmandos do pai, Santiago. O aparentemente inofensivo reparador de brinquedos se revela um homem cruel, capaz das maiores atrocidades para se dar bem. E ele passa usar Carminha, que se vê incapaz de reagir diante deste abusador implacável.

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Trata-se de uma virada e tanto, já que Avenida Brasil se torna praticamente uma nova novela neste entrecho final. Carminha vira a grande protagonista, Santiago se torna o grande vilão, e Nina praticamente desaparece. A vingadora não tem mais o que fazer além de esperar seu final feliz com Jorginho (Cauã Reymond). Por isso, a novela passa a impressão de perda de ritmo nesta fase. Porém, mesmo assim, ela tem suas qualidades.

Passado de Carminha

Se não serve à história principal, este epílogo ajuda a explicar Carminha. É quando os monstros de seu passado vêm à tona, explicando os motivos pelos quais a vilã agia de maneira tão vil e dissimulada. Com isso, Avenida Brasil dá um toque humano à malvada, que sempre pareceu over (no melhor sentido da palavra). E funciona. O espectador mais atento já podia notar, em sequências anteriores, que Adriana Esteves já vinha, em seu trabalho, dando espaço para que uma Carminha mais humana surgisse. O embate com Nina e a perda de Max a coloca num novo lugar.

Além disso, ao alçar Santiago ao vilão do epílogo, João Emanuel Carneiro faz uso de uma manobra que se tornou uma marca do autor às nove: um personagem que parecia “do bem” se revelar “do mal”. Quando surge em cena, timidamente, Santiago parecia um idoso acima de qualquer suspeita. Porém, agora, ele se revela um vilão. Tal qual Flora (Patrícia Pillar), de A Favorita, ou Zé Maria (Tony Ramos), de A Regra do Jogo.

Uma pena que, neste processo, o autor sacrifique sua trama de vingança. Porém, ao mesmo tempo, ele abre espaço a um desfecho inusitado, sobretudo no que se refere ao destino de Nina e Carminha. É praticamente uma outra novela, mas que tem seus encantos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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