João Emanuel Carneiro dispensa “núcleos decorativos” em Segundo Sol

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Assinando sua sexta novela como novelista titular, João Emanuel Carneiro abriu mão de um de seus principais “vícios” em Segundo Sol. Em suas novelas anteriores, era comum ter um ou mais núcleos que pouco conversavam com a história principal. Ou seja, serviam quase como “encheção de linguiça”. Isso não acontece na atual novela das nove. Todas as tramas propostas estão bem interligadas. Isso faz de Segundo Sol uma novela redonda e bem-resolvida.

Em Da Cor do Pecado (2004), que marcou sua estreia como autor principal, João Emanuel Carneiro dispôs de várias tramas paralelas “soltas” como pontos de humor. A mais lembrada é a de Pai Helinho (Mateus Nachtergaele), que era tão distante da trama principal, que até se passava num outro estado brasileiro. Ou seja, enquanto as aventuras de Preta (Taís Araújo) se desenrolavam no Rio de Janeiro, Pai Helinho aprontava no Maranhão. Além deste, os golpes aplicados pelo casal Verinha (Maitê Proença) e Eduardo (Ney Latorraca) também eram praticamente esquetes de humor dentro da novela.

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Isso continuou em Cobras & Lagartos (2006) no núcleo da família de Eva (Eliane Giardini). A religiosa obrigava toda a família a rezar, e os personagens quase não saíam da casa onde viviam. Em A Favorita (2008), Céu (Deborah Secco) também passou a viver num “universo à parte” quando se casou com Orlandinho (Iran Malfitano). Aí veio Avenida Brasil (2012) com o “antológico” núcleo de Cadinho (Alexandre Borges). Era completamente alheio da trama da novela. Depois, em A Regra do Jogo (2015), o autor apostou em mais núcleos de humor isolados. Por exemplo, o do apartamento de Feliciano (Marcos Caruso) e dos casais trocados do Morro da Macaca, liderado por Rui (Bruno Mazzeo).

A Regra do Jogo “ensinou” uma lição à Segundo Sol

Talvez por ser a novela menos bem-sucedida da carreira de João Emanuel Carneiro, A Regra do Jogo mostrou o quanto esta mania do autor prejudicava sua obra. Os pretensos “núcleos do humor” da obra soavam quase como uma interrupção da história principal. Ou seja, não eram engraçados, não acrescentavam à trama e aborreciam. Sendo assim, o novelista deve ter aprendido a lição e abandonou este artifício em Segundo Sol. A novela tem Luzia (Giovanna Antonelli) e a família Falcão no centro do enredo. Eles estão ligados à família Athayde por conta de Cacau (Fabíula Nascimento) e Manuela (Luísa Arraes). E destes dois núcleos principais, se ramificam todas as poucas tramas paralelas de Segundo Sol.

Ou seja, Segundo Sol é uma novela que tem unidade. Até aqui, não há personagens desnecessários e todos eles fazem sentido dentro da história que se pretende contar. Sendo assim, Segundo Sol se destaca positivamente na galeria de João Emanuel Carneiro. Estruturalmente, Segundo Sol é uma trama mais madura e bem acabada.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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