Ascensão de Silviano é uma boa virada em Império, mas deixa pontas soltas no enredo

Trama de Aguinaldo Silva acerta ao brincar com o clichê do "mordomo culpado"

Publicado em 22/09/2021 21:30
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Na reta final, Império experimenta uma interessante virada. A trama de Aguinaldo Silva abre espaço às revelações de Silviano (Othon Bastos), até então o fiel mordomo de Maria Marta (Lilia Cabral). O escudeiro, além de se revelar ex-marido da patroa, também se mostra um vingativo vilão, às voltas com planos para derrotar José Alfredo (Alexandre Nero).

É uma virada interessante por vários motivos. Um deles é o fato de dar um necessário chacoalhão na novela, que tem um enredo bastante irregular. Incluir um inimigo oculto ao protagonista, que depois se revela um funcionário de sua casa, não é exatamente uma novidade dramatúrgica, mas funciona dentro do universo criado em Império.

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O fato de Silviano ser o pai de Maurílio/Renato (Carmo Dalla Vecchia), e os dois executarem toda uma ação contra o Comendador, supre uma grande ausência da novela: um antagonista forte. Maria Marta e Cora (Drica Moraes/Marjorie Estiano) foram vendidas como as vilãs da obra, mas nenhuma preencheu, de fato, este papel. Maria Marta é quase a mocinha, enquanto Cora se tornou uma figura mais cômica, embora tenha cometido seus assassinatos.

Além disso, é sempre divertido brincar com a máxima de que “o culpado é sempre o mordomo”. Usar clichês, desde que de maneira espirituosa e inteligente, dá alguma substância à trama, servindo-a bem.

Por fim, a revelação valoriza a presença de Othon Bastos, grande ator brasileiro. A escalação de um medalhão do naipe de Bastos para viver um mordomo já era um indício de que havia planos maiores para o personagem. Silviano deixa de ser um simples coadjuvante para se tornar dono de sua história, e encontra um intérprete cheio de recursos. Assim, sua virada na trama ganha em credibilidade.

Pontas soltas (contém spoiler)

O maior problema do mistério de Império é a revelação de que Silviano e Maurílio não agem sozinhos. A figura oculta de Fabrício Melgaço se revela, mais adiante, uma “conspiração de vilões”, e há um terceiro agente nesta equipe. Seu nome é revelado apenas no último capítulo.

E trata-se justamente de José Pedro (Caio Blat), o filho mais velho de José Alfredo. O fato de ele ter orquestrado um plano contra seu próprio pai faz sentido, afinal, o primogênito sempre nutriu uma mágoa do pai e nunca escondeu a vontade de assumir o seu lugar. Entretanto, ao colocar Silviano como seu cúmplice, a novela se esquece de que os dois personagens já tiveram seus momentos sozinhos e nunca demonstraram tal parceria. Estavam fingindo para quem?

Na época da primeira exibição de Império, Aguinaldo Silva declarou, quando a trama estava perto do fim, que ainda não tinha decidido que personagem se revelaria o vilão oculto. Se isso for verdade, explica o fato de a resolução ter falhas, já que se trata de uma decisão de última hora. Mas uma boa trama policial começa justamente do fim: o autor precisa saber onde quer chegar para desenrolar sua história.

Mas, como Império é uma novela um tanto rocambolesca, as falhas na reviravolta do enredo não comprometem. No fim, é tudo uma grande fantasia mesmo. Vale pela brincadeira.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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