As tardes da TV aberta: o que fazer?

Publicado há 3 anos
Por Fábio Costa
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Entre reprises de novelas, programas de fofocas ou que se constituem basicamente de material sobre celebridades, sejam elas artistas que realmente fazem algo artístico ou não (os “artistas”, entre aspas), debates entre anônimos que dizem se odiar, mas sentam-se lado a lado no palco e jornalísticos sensacionalistas, as tardes da TV em geral não apresentam maiores opções de entretenimento ao público fora isso.

Melhor da Tarde parece perdido no tempo

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A primeira mudança substancial na grade da Globo em quase 20 anos ocorreu em 2014, quando foram invertidos os horários da sessão de reprises de novelas da casa, Vale a Pena Ver de Novo, com a faixa de filmes, Sessão da Tarde, que vinha depois da novela e agora vem antes, por volta das 15h. A última havia ocorrido em 1995, quando foram abolidas a Sessão Aventura, que apresentava séries estrangeiras, e a Escolinha do Professor Raimundo, programas exibidos entre o filme e a novela das 18h, para exibir a soap opera Malhação, no ar até hoje. Atualmente, a tarde da emissora é composta pelos telejornais locais (de 12h a 12h50), o Globo Esporte (das 12h50 às 13h20), o Jornal Hoje (das 13h20 às 14h) e o Vídeo Show (das 14h às 15h). Depois entra o filme, a novela e Malhação – Vidas Brasileiras, já por volta das 18h.

Melhor da Tarde, de Cátia Fonseca, vai passar por ajustes na Band; entenda

A TV Cultura ocupa praticamente toda a tarde com programas para as crianças, englobados sob o título Quintal da Cultura. Numa pausa entre os blocos matutino e vespertino do Quintal, a edição da tarde do Jornal da Cultura e o Panorama, programa de debates com Andresa Boni. “Salvo” a Cultura nesta análise, porque é uma emissora pública, mas isso não a exime – diria até que agrava – da obrigação de oferecer uma boa programação a seu público.

No SBT, até as 15h vão ao ar os desenhos e brincadeiras do Bom Dia e Cia., seguido do Fofocalizando, com Leão Lobo, Mamma Bruschetta, Décio Piccinini Mara Maravilha, Lívia Andrade e Léo Dias fazendo jus ao nome do programa e fofocando sobre artistas e outras figuras que se tornam notícia, nem sempre assim tão importantes. Logo após, às 16h, entram os Casos de Família, alguns beirando o absurdo, mediados por Christina Rocha. Em experiência noturna o programa não deu tão certo e logo voltou para a faixa da tarde, na qual possui audiência cativa há anos, desde 2004, quando estreou sob o comando de Regina Volpato. A partir das 17h, duas novelas mexicanas (Coração Indomável e Amanha É Para Sempre) com capítulos que mais parecem reprises do Vale a Pena Ver de Novo de tão grandes, até as 19h30.

Na Record TV, não fossem duas novelas, das 15h às 16h45min, a tarde seria ocupada apenas pelo Balanço Geral e pelo Cidade Alerta, jornalísticos que ensanduicham os repetecos de Luz do Sol (2007), de Ana Maria Moretzsohn, e de Bicho do Mato (2006/07), de Cristianne Fridman e Bosco Brasil. A Rede TV! ocupa quatro das seis horas do período vespertino com a Igreja Universal, e as duas que sobram (das 15h às 17h) ficam a cargo de Sônia Abrão e seu A Tarde É Sua.

Na Gazeta, a tarde é ocupada por 90 dos 120 minutos do programa Você Bonita (que vai das 11h30 às 13h30), com apresentação de Carol Minhoto. A atração é calcada em dicas de saúde, beleza e alimentação saudável. Na sequência, o Cozinha Amiga apresenta em meia hora a cada dia um chef diferente, com receitas e dicas. Das 14h às 17h45min é exibido o tradicional Mulheres, desde o início do ano sob o comando de Regina Volpato. Finalizando a tarde o noticiário Gazeta News e a Hora do Angelus, com o padre Reginaldo Manzotti.

As tardes da Bandeirantes começam com os debates sobre futebol no Jogo Aberto, seguidos de mais debates no Os Donos da Bola. A partir das 14h, duas horas com Cátia Fonseca, a primeira local e a segunda, nacional, em seu Melhor da Tarde. Das 16h até as 19h20min, José Luiz Datena apresenta o Brasil Urgente.

A audiência da TV em geral vai crescendo ao longo do dia, conforme os afazeres das pessoas vão sendo eliminados e começa a sobrar tempo para que elas se dediquem ao lazer. A faixa da tarde se acomodou em poucas variantes, tomada por reprises de novelas e programas de variedades, com ou sem fofocas, além dos jornalísticos policiais. Por que não investir num jornalístico que não foque apenas em notícias de crimes e barbaridades, ou em debates inteligentes de temas importantes para a sociedade – como, aliás, já se fez com êxito na Bandeirantes, com os programas de Silvia Poppovic e Flávio Gikovate, este no começo dos anos 1990. Por que não investir em produções de dramaturgia inéditas, de peso, para atingir esse público que recorre às novelas em reprise – algumas no segundo ou terceiro retorno, por vezes precocemente? Se há espectadores para a trilogia das Marias, para Paola e Paulina, A Viagem ou Senhora do Destino, por que não pensar numa novela inédita vespertina? Por que não pensar algo para as crianças e adolescentes, que andam tão desprezados de forma geral – a tarde já teve boas opções infantojuvenis, como o Sítio do Picapau Amarelo, o Disney Club… E por que não exibir games para o público jovem e adulto que pode ver TV à tarde? Já houve o Supermarket com Ricardo Corte Real, o Melhor de Todos com Daniel Filho e o Roletrando/Roda a Roda de Silvio Santos em diversas temporadas, entre outros exemplos. São apenas umas poucas ideias, apenas para tentar fazer germinar a semente que alie qualidade, entretenimento e faturamento e melhore a programação das tardes da nossa TV. Público, como se vê, existe e não é pouco.

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