Apesar do sucesso, Gênesis pode “esgotar” teledramaturgia da Record TV

Há cada vez menos opções de histórias bíblicas para a emissora adaptar

Publicadohá pouco tempo
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Os resultados das primeiras semanas de Gênesis atestam que a Record TV acertou em cheio com sua nova novela bíblica. A ousada ideia de se contar várias histórias em uma, com muitas mudanças de cenário e elenco, agradou ao público da emissora. No entanto, a ousadia terá um preço: será muito mais difícil para a emissora definir suas próximas produções.

Isso porque Gênesis conta com várias histórias bíblicas de apelo. São sete fases: Éden, Dilúvio, Torre de Babel, Ur dos Caldeus, Abraão, Jacó e José do Egito. Cada uma delas poderia render, no mínimo, uma minissérie bíblica. Tanto que uma delas, José do Egito, já foi uma minissérie de sucesso do canal, exibida em 2013. Ou seja, Gênesis vai recontar uma história já contada pela emissora.

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Vale lembrar que a dramaturgia bíblica da Record TV ganhou fôlego e investimentos a partir de 2010. De lá para cá, a emissora exibiu produções como A História de Ester, Sansão e Dalila ou Rei Davi, todas muito bem-aceitas pelo público do canal. O sucesso das minisséries abriu caminho para as novelas.

Os Dez Mandamentos, primeira novela bíblica da emissora, foi também o maior sucesso até aqui. Depois vieram produções como A Terra Prometida, O Rico e Lázaro, Apocalipse e Jezabel. Até mesmo Jesus já teve sua novela, que foi reprisada recentemente.

Regravações

A substituta de Gênesis deve ser uma nova versão de Rei Davi, que já foi uma minissérie de sucesso em 2012. Ou seja, na prática, a emissora já está produzindo espécie de “remakes” de José do Egito e Rei Davi. Isso significaria que não há mais histórias bíblicas de apelo que ainda não foram contadas?

Em busca de um fenômeno tal qual Os Dez Mandamentos, a Record apostou todas as suas fichas em Gênesis. Os resultados mostram que a emissora acertou na estratégia. Mas também mostra que o canal já “queimou” várias histórias de uma vez. Vai ficar cada vez mais difícil encontrar uma história bíblica “inédita” na emissora.

Claro, a Bíblia tem muito mais histórias a serem contadas. Mas é sabido, também, que as adaptações que fazem mais sucesso são das histórias mais conhecidas, daquelas que até quem não leu o livro sagrado conhece. Até aqui, todas as apostas da emissora foram em tramas “seguras”. O Rico e Lázaro, inspirada numa parábola, foi rara exceção.

Assim, para garantir a longevidade de suas novelas bíblicas, a emissora terá que escolher entre dois caminhos ingratos: ou apostar em remakes de suas próprias produções (o que parece um tanto injustificado), ou trazer histórias menos conhecidas. A dramaturgia bíblica da emissora está numa encruzilhada.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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