Apesar das dificuldades, 2020 foi o ano que reafirmou a importância da TV

Emissoras foram desafiadas a produzir em condições adversas

Publicado há 15 dias
Por André Santana
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2020 não foi um ano bom para ninguém. Inclusive para as emissoras de TV, que se viram diante de grandes desafios para seguir produzindo (e faturando) dentro das novas condições impostas pelos protocolos de segurança adotados por conta da pandemia da covid-19. Carro-chefe da TV brasileira, a dramaturgia foi prejudicada. Por outro lado, o jornalismo mostrou o seu valor.

Diante de tantas opções de entretenimento, a TV convencional vinha sendo colocada em xeque. Como uma grade horizontal fixa pode competir com as facilidades do streaming? Pois o ano que obrigou muita gente a ficar em casa mostrou que o público ainda prefere se informar pela televisão. As emissoras que investiram em jornalismo ao vivo se viram na frente.

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Enquanto isso, o entretenimento se reinventou. As plateias presenciais foram substituídas por auditórios virtuais, e as entrevistas foram convertidas em videochamadas. Nesta nova realidade, alguns programas conseguiram até se aperfeiçoar, casos do Conversa com Bial e do Altas Horas, da Globo. O Melhor da Tarde, da Band, também teve seu “momento caseiro”, com Cátia Fonseca ao vivo de sua casa. Ana Maria Braga permanece em sua bela casa em São Paulo no Mais Você.

Reality shows também mostraram sua força. O BBB20 e A Fazenda 12 foram edições marcantes das atrações da Globo e da Record TV. O público se envolveu como nunca e mostrou que o grande segredo do sucesso destas atrações é, justamente, o potencial de mobilizar torcidas. Um bom elenco faz a diferença e ganha em repercussão.

Mas nem todos os realities funcionaram. Ao apostar num formato de game show, o MasterChef perdeu justamente esta capacidade de mobilizar torcidas. Acabou passando em branco. The Four enfrentou o início da pandemia e a estratégia equivocada da Record, tendo um resultado pífio. The Voice Brasil teve a sua mais desinteressante edição. E a Dança dos Famosos enfrentou muitos percalços, com participantes às voltas com problemas de saúde.

Enquanto isso, as novelas experimentaram um ano atípico. A Globo, principal produtora de novelas do Brasil, se viu obrigada a fechar seus estúdios e apostar em reprises no horário nobre. Tramas como Totalmente Demais e Fina Estampa repetiram o sucesso original. Já A Força do Querer e Novo Mundo não alcançaram tal sucesso.

Neste ponto, a Record TV teve altos e baixos. A emissora apostou em reprises equivocadas, como a péssima Apocalipse e a recente Jesus. Mas também foi o primeiro canal a voltar a exibir folhetim inédito, já gravado dentro dos protocolos de segurança, com Amor Sem Igual. Já o SBT interrompeu a produção de Poliana Moça e dispensou elenco e equipe. Sem perspectiva de retomada.

Mas a dramaturgia também se rendeu aos novos formatos, vários feitos de maneira remota. Diário de um Confinado e Amor e Sorte, da Globo, foram boas experiências. Sob Pressão – Plantão Covid foi um grande acerto. E produções mais simples, feitas para o streaming, também se destacaram, como Sterblitch Não Tem um Talk Show – O Talk Show e Cada um no Seu Quadrado.

Quem se deu bem

A Globo teve um ano difícil, mas como é a que mais tem gordura para queimar (e um ótimo acervo à disposição), conseguiu manter sua programação sem grandes perdas. A Record TV também conseguiu seguir produzindo, sobretudo em razão do grande espaço de seu jornalismo. Até experimentou um aumento de audiência com o sucesso de A Fazenda.

Outros destaques positivos do ano foram as estreias de dois novos canais. Na TV paga, a CNN Brasil mexeu com o mercado ao apostar em grandes contratações e em uma programação bastante voltada à análise da informação. Apesar de alguns excessos, o canal tem mais acertos que erros.

Já a TV aberta ganhou a Loading, canal que substitui a antiga MTV Brasil. Com uma programação toda voltada à cultura pop e geek, de forte apelo juvenil, a emissora chegou para preencher uma grande lacuna. Isso porque há cada vez menos opções para jovens na TV aberta. É uma proposta simpática e bem interessante.

Quem se deu mal

O SBT, definitivamente, foi o canal mais prejudicado com a pandemia. A emissora dispensou seu elenco infantil e colocou os veteranos em quarentena (decisão mais que acertada, diga-se). Assim, atravessou o ano com reprises de Programa Silvio Santos, A Praça É Nossa e Raul Gil.

Além disso, foi na contramão das demais emissoras e desmantelou seu jornalismo. Todos os medalhões do setor foram dispensados, como Carlos Nascimento, Rachel Sheherazade e Roberto Cabrini. Sem jornalismo ao vivo e com sua grade de entretenimento prejudicada, a emissora de Silvio Santos perdeu audiência em 2020. Nem mesmo o investimento em esporte refrescou a situação.

RedeTV! e Band também não tiveram grandes momentos. A primeira apostou em programas controversos e ruins de audiência, como Alerta Nacional, Opinião no Ar e Vou te Contar. Já a segunda fez apostas como o Melhor Agora, de Mariana Godoy, que não decolou e já saiu do ar.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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