Ao enxugar Cidade Alerta, Record repete estratégia de 2004

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No ano de 2004, a Record dava início à sua agressiva estratégia que ficou conhecida como “rumo à liderança”. Na época, a emissora começava a montar um núcleo forte de dramaturgia, contratar profissionais de peso (vindos da Globo, diga-se) e a fazer uma verdadeira “faxina” na programação, eliminando conteúdo considerado popularesco e de gosto duvidoso.

O jornal policial Cidade Alerta, uma das maiores audiências da emissora naquele ano, foi um dos alvos da nova estratégia de programação. O noticioso, que ocupava o fim de tarde da Record e longas horas ao vivo mostrando a violência e o trânsito de São Paulo, foi drasticamente reduzido. Boa parte do horário destinado a ele passou à revista eletrônica Tudo a Ver, apresentada por Paulo Henrique Amorim e Janine Borba (depois, substituída por Patrícia Maldonado). Inspirado nos programas matinais norte-americanos, Tudo a Ver era uma atração leve e bem-humorada, trazendo notícias gerais, prestação de serviço, entrevistas e quadros variados, como culinária, moda e notícias de famosos.

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Assim, Cidade Alerta, que era apresentado por Marcelo Rezende, teve seu tempo diminuído, ficando com apenas meia hora de duração. Tempos depois, com o Tudo a Ver estabelecido e com boa audiência, o programa policial foi definitivamente cancelado. Mais um tempo depois, a emissora lançou o jornal local SP Record, exibido após o Tudo a Ver. Cidade Alerta só retornaria à programação do canal em 2011, num momento em que o canal não conseguia acertar sua grade vespertina. Começou pequeno, apresentado por José Luiz Datena, e foi cancelado de novo quando Datena retornou à Band. Mas voltou logo depois, novamente com Marcelo Rezende, e foi ganhando espaço, até ocupar mais de três horas da programação e, de novo, tornou-se uma das maiores audiências do canal.

E aí chegamos a 2017, com a história se repetindo. Mesmo ainda registrando boa audiência, o Cidade Alerta foi novamente encurtado, para abrir espaço à reprise de Os Dez Mandamentos e o lançamento de vários jornais locais às 19h. À primeira vista, parece suicídio. Já na estreia, na terça-feira (25), a emissora viu a audiência do horário cair. Algo natural, afinal, é uma grande mudança de hábito. A audiência do Cidade Alerta não é a mesma da novela bíblica, e o público de novelas deste horário ainda se divide entre Globo e SBT (e, com Novo Mundo bombando, sobra pouco para as demais emissoras).

Entretanto, numa análise mais aprofundada, percebe-se que a atual estratégia do canal faz sentido. Isso porque Cidade Alerta é um excelente chamariz de audiência, isso é fato, mas não fatura. O programa sempre foi longuíssimo, mas com poucos intervalos comerciais, ou seja, provavelmente a conta ali não fechava. Com a reprise da novela bíblica e o novo jornal local, as chances de aumentar o faturamento do horário são bem maiores. Em São Paulo, por exemplo, o novo SP Record se mostrou um jornalístico muito mais variado, leve e bem-feito que o Cidade Alerta. Carla Cecato na apresentação é um alento, as pautas do programa são variadas e o jornal está redondinho.

Por isso mesmo, por mais que pareça loucura trocar um programa de audiência certa por uma nova grade totalmente diferente, foi a melhor saída. A Record tomou uma atitude corajosa e madura, deixando sua grade de programação mais coerente. Resta saber se haverá público para uma reprise de novela que mal saiu do ar. Mas que a grade melhorou, isso é fato.

Estratégia errada da Record prejudica reprise de Os Dez Mandamentos

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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