Ana Clara é o maior legado de toda a equipe deste BBB 21

São da apresentadora as melhores entrevistas feitas com participantes eliminados do reality show

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Independentemente de quem ganhar a edição deste ano do reality show, ela já é destaque. Com jogo de cintura e carisma para trafegar com desenvoltura num meio termo entre jornalismo e entretenimento, Ana Clara Lima é até agora a maior atração do BBB 21 fora da casa. Desde sua participação no BBB 18, do qual ela não saiu campeã, a então terceira colocada vem numa linha ascendente de fulminante carreira de apresentadora de TV.

Embora não tenha nem passado perto do departamento de Jornalismo da Globo, Ana Clara conduz entrevistas ao vivo com técnica e um raro talento, que muitos repórteres tarimbados levaram muitos anos para aperfeiçoar. Tanto que ela acumula o programa Bate-Papo BBB na plataforma web Gshow com o Plantão BBB na emissora-mãe.

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Este Plantão BBB, além de ser um programa improvisado, feito de última hora (estreou em 5 de abril, a um mês do final do reality show), com convidados mal enquadrados em lives sem foco nem luz boas, tem na presença de palco de Ana Clara sua única salvação. Nem a presença semanal de um coringa na manga como é Marcelo Adnet consegue ajudar este programa, uma estreia tardia e mal planejada.

Consta que a hoje apresentadora cursou faculdade de Jornalismo, e já tinha experiência com TV na internet antes mesmo de entrar como participante do BBB 18. Com a boa receptividade junto ao público, ela conquistou vagas pelo Multishow e também pela própria TV Globo, no extinto Vídeo Show. O fato é que Ana Clara, agora com 24 anos, vem demonstrando no programa deste ano grande habilidade para tratar com os participantes egressos da casa.

Desde o seu começo, este BBB 21 foi marcado por contratempos, conflitos muito além do razoável, clima pesado em especial nas primeiras semanas do reality, que desencadeou até a desistência do participante convidado, o ator Lucas Penteado.

Quando, após a saída de Lucas, foram eliminados em sequência e com votações recordes participantes como Nego Di e Karol Conká e, posteriormente, com altos índices de rejeição os também polêmicos Lumena e Projota, o primeiro apresentador a dar de cara com eles, Tiago Leifert, foi sempre protocolar.

De forma breve, superficial, Leifert conduz a chamada entrevista ‘chapa banca’ – quando o jornalista não pergunta nada que seja comprometedor ou deixe o entrevistado em situação difícil.

Obviamente, o host do BBB segue um padrão estabelecido para administrar a atração em poucos momentos ao vivo com os recém-saídos de forma a propiciar uma continuidade do entretenimento de forma leve. ‘The show must go on‘ – ou ‘O espetáculo deve continuar‘!

Mesmo na entrevista das manhãs pós-eliminação, com café da manhã com Ana Maria Braga no seu programa, o questionamento aparenta ser um pouco mais incisivo mas, ainda assim, não é direto. O distanciamento entre estúdio e entrevistados, que se comunicam por transmissão em tela, já de cara suaviza a entrevista, que apenas resvala em algum questionamento mais forte em alguns momentos.

Nesta edição, Ana Maria Braga pareceu um pouco mais impaciente apenas com Carla Diaz e com Rodolffo, curiosamente, dois que saíram do grupo Camarote e com laços anteriores com a Globo (Carla Diaz, atriz de novelas e Rodolffo, pela gravadora Som Livre).

No Multishow, a dupla formada por Bruno de Lucca e Vivian Amorim até faz um trabalho divertido no programa BBB – A Eliminação. Ao vivo, a atração conta com um respiro maior, pois recebe os eliminados após 24 horas de sua saída, com todos já informados sobre o mundo do lado de fora e mais preparados para responder às perguntas.

Mas também ali a proposta é muito mais inserir o participante no universo do entretenimento do que propriamente questionar demais suas atitudes.

Isso não acontece com as entrevistas de Ana Clara no Bate-Papo BBB no Gshow, visto que ele se passa exatamente no calor dos acontecimentos. O seu ao vivo capta as primeiras reações dos participantes eliminados sem filtros.

Coube a ela tentar entender os movimentos de personalidades polêmicas desta edição, como Nego Di e Karol Conká, sem, no entanto, entregar demais as surpresas quase sempre desagradáveis que os participantes teriam com as repercussões de sua própria participação.

Às vezes, Ana Clara brinca com a direção do programa – que se comunica com ela por meio de fone no ouvido, o chamado ponto eletrônico. E ela realmente é capaz de tirar um bate papo de letra, com a prerrogativa de entendimento dos entrevistados; afinal, ela mesma participou do programa.

Sempre que aponta alguma atitude questionável de um Brother ou Sister, Ana Clara complementa com intervenções como: “Eu sei como é”, “Eu entendo”, “Eu já passei por isso”. Frases assim, quando bem colocadas, deixam o entrevistado um pouco mais confortável e confiante para em seguida se abrir mais um pouco na próxima resposta. Isso é pura técnica.

Outros bons predicados cabem à entrevistadora, que neste programa especialmente tem excelentes colocações de postura corporal e de voz, opiniões, perguntas e, acima de tudo, sabe dar leves “cutucadas” nos participantes.

Ana Clara não pega pesado, não “queima” os entrevistados, pois eles têm de ser poupados para render tantas outras entrevistas em tantos outros programas da casa, tudo sempre muito patrocinado. Passado mais este BBB, ela com certeza merece continuar com um programa de entrevistas só seu, de preferência ao vivo e na TV e não apenas na web.       

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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