Amor de Mãe ensina mais sobre pandemia do que campanhas

No retorno da novela após quase um ano de paralisação das gravações, trama foi didática e cheia de crimes

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Num capítulo marcado por dois novos assassinatos e o flashback de um anterior, o retorno de Amor de Mãe após quase um ano de paralisação, paradoxalmente, trouxe mensagem pró-vida.

Ao estimular com ênfase na trama o uso de máscaras, lembrar o tempo todo da necessidade de higienização das mãos e mostrar a maior parte dos personagens em distanciamento social e em conversas via smartphone e computador, a novela fez em um único dia mais do que o governo em qualquer campanha nacional de conscientização.

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Sem qualquer tom escapista para quem quer esquecer da pandemia, a novela volta com o que promete ser um espetáculo de malvadezas, num plot um tanto rocambolesco, que já tinha se iniciado antes da pausa forçada pela pandemia.

Amor de Mãe teve um início primoroso e assim seguiu por algum tempo, até que viradas nada convincentes foram acontecendo de forma meio atabalhoada. As falsas pistas sobre o filho perdido levaram a um sem número de confusões de desfecho estranho. Sandro (Humberto Carrão) passou de suposto filho de Lurdes (Regina Casé) a um filho de Vitória (Taís Araújo) e Raul (Murilo Benício) gestado na adolescência, de quem antes nem se tinha ouvido falar.

Aliás, a própria Vitória começara a novela exatamente no fim de um casamento por falta de um filho. Ela, que já tinha perdido um bebê durante a gestação, em seguida adotou uma criança, engravidou de um ficante, Davi (Vladimir Brichta) e reencontrou Sandro. Começou a trama sem nenhum rebento e agora já está com três filhos!

A morte de Vinícius (Antonio Benício), o filho de Lídia (Malu Galli) e Raul, foi outra solução pouco esperada, bem como a morte da amiga Amanda (Camila Márdila). Isso sem falar na carreira de sucesso do cantor Ryan (Thiago Martins), que já voltou ao anonimato, da tenista Marina (Érika Januza), que largou tudo por amor, da ex-maquiadora Érica (Nanda Costa), que virou empresária e agora ficou sem função na trama – todas estas histórias mal resolvidas.

Neste retorno, agora, numa novela com tantos personagens, a solução imediata de eliminar mais duas delas pareceu de supetão. Belizário (Tuca Andrada) segue no crime, Álvaro (Irandhir Santos) está preso e num improvável jogo de xadrez dentro de uma cela na prisão deu a entender como já tinha encomendado a morte da não tão esperta Estela (Letícia Lima).

A vilania de Thelma (Adriana Esteves) promete muito, não pelo roteiro improvável, mas sim pelo talento da atriz. Num desenvolvimento tão mal trabalhado – ela mata duas pessoas que descobrem sua farsa e falam abertamente que vão denunciá-la –, a atriz ainda assim se sobressai.

A cena de Telma encarando a amiga Jane (Isabel Teixeira) e depois chorando no chuveiro após mais um crime provam que a interpretação de Adriana supera até mesmo um enredo ruim. O mesmo se passa com a Lurdes de Regina Casé.

Outros personagens mais devem sumir de cena ao longo destes 20 e poucos capítulos. Não importa quem vai restar, a briga será mesmo entre Lurdes e Thelma. Um duelo que, já sabemos, valerá muito mais pela interpretação das atrizes do que pela disputa pela maternidade de Danilo/Domênico (Chay Suede).

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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