Amor de Mãe emociona, mas ritmo apressado prejudica reta final

Trama perde os momentos contemplativos que marcaram primeira fase

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Reencontrar os personagens de Amor de Mãe após praticamente um ano da pausa da novela é uma oportunidade para se reconectar com a bela história escrita por Manuela Dias. Acompanhar o desfecho da busca de Lurdes (Regina Casé) por Domênico (Chay Suede) chega a ser confortante para o espectador.

E os capítulos finais, eletrizantes, estão caprichados na emoção. Lurdes está cada vez mais perto da verdade, e Thelma (Adriana Esteves) está perdendo de vez as estribeiras para proteger o seu segredo, rendendo grandes momentos. Com isso, a novela chega ao seu clímax de uma maneira alucinante.

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Entretanto, esta carga de energia acima da média fez com que Amor de Mãe perdesse um pouco do seu charme. Afinal, além do texto muito bem resolvido, o folhetim ainda tinha uma direção mais arrojada, que permitia alguma contemplação e poesia em meio a todo o melodrama. Na “temporada anterior”, havia um caminhar, um silêncio e um olhar que preenchiam momentos onde a emoção estava nas pequenas coisas.

Isso se perdeu na fase final. Ter apenas 23 capítulos para colocar um ponto final na vida de tantos personagens obrigou a autora a escrever, como ela mesma definiu, vários “últimos capítulos”. O ritmo se tornou cadenciado, com acontecimentos a todo instante, com pouca (ou nenhuma) pausa para respirar.

Toda a sequência que culminou com a morte de Marconi (Douglas Silva), por exemplo, foi às pressas. Do sequestro de Betina (Isis Valverde) à chegada de Sandro (Humberto Carrão), passando pelo embate de Raul (Murilo Benício) e Álvaro (Irandhir Santos), foi tudo acelerado. Quem piscou, perdeu algum momento importante.

A novela não perdeu todo o seu lado mais artístico, bem entendido. Sequências, como a que Thelma toma uma chuveirada após matar a melhor amiga, ajudam a manter esta característica da obra. Mas é inegável que os momentos mais contemplativos estão acontecendo a conta-gotas.

Mas…

Isso não tira o brilho de Amor de Mãe. A novela acertou ao dar um salto de seis meses e ir explicando, por meio de flashbacks, o que aconteceu com os personagens neste tempo. A abordagem da pandemia também não incomoda, pelo contrário. Os personagens têm dado bons exemplos ao público, o que vem a calhar neste contexto em que o negacionismo impera.

Acima de tudo, Manuela Dias segue provando sua mão firme para a condução das situações que propõe, seja pelos diálogos muito bem escritos, seja pela reverberação das ações de um núcleo para outro. A estrutura bem armada é o grande mérito da novela.

É uma pena que não poderemos acompanhar uma reta final menos apressada, com um tempo maior para a resolução dos conflitos. Mas, considerando todos os acontecimentos do último ano, a oportunidade de acompanhar um final já é algo a ser celebrado.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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