Amor de Mãe: desfecho corrido transforma Thelma em serial killer do dia para a noite

Personagem de Adriana Esteves perde o rumo na reta final

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Não há dúvidas de que o enredo de Amor de Mãe preparou o terreno para a virada de Thelma (Adriana Esteves). O próprio “resumão” que a Globo exibiu antes de lançar os capítulos finais deixaram claro que a personagem vinha num crescente desequilíbrio, que culminaria numa possível tragédia.

Thelma demonstrou desequilíbrio desde o início, ao tomar atitudes controversas para “proteger” o filho. Furou as camisinhas dele para realizar seu sonho de ser avó. Mas quando a nora ficou impedida de ter mais filhos, tentou separar Camila (Jéssica Ellen) de Danilo (Chay Suede). Chegou até a esconder as alianças para tentar fazê-los desistir de se casar. Isso sem falar que pagou uma mulher para fingir ser mãe biológica dele.

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Ou seja, as atitudes de Thelma foram ficando cada vez mais perigosas e davam sinais de que ela, em algum momento, sairia da rota de vez. Isso aconteceu quando Rita (Mariana Nunes), mãe biológica de Camila, descobriu que Danilo era, na verdade, Domênico. Isso a faz tomar a mais drástica das atitudes: ela atropelou e matou a mulher. Chegou ao ápice.

Até a morte de Rita, as atitudes de Thelma pareciam coerentes diante do espiral de loucura com a qual ela foi se afundando no decorrer de Amor de Mãe. Mas, nos derradeiros episódios, esta loucura deixou de ser sutil e gradual para transformá-la num monstro.

Afinal, Thelma matou Rita num momento em que se sentiu acuada. Assim que viu seu segredo sendo ameaçado, ela não viu outra saída que não fosse se livrar da mulher. Foi um rompante bastante aceitável diante de toda a trajetória da personagem ao longo do enredo de Manuela Dias.

Sangue-frio

Mas, a partir do momento em que ela resolve se livrar, também, de Jane (Isabel Teixeira), a personagem desanda. Sim, ela foi movida pelo mesmo sentimento que a faz matar Rita. Mas é preciso lembrar que a morte de Rita aconteceu num momento em que ela estava de cabeça quente. E, ainda, que ela não tinha qualquer envolvimento emocional com aquela mulher.

No caso de Jane, a morte não se justificou. Thelma e Jane eram amigas. E a dona do restaurante agiu de maneira fria. Planejou cada passo e executou a madrinha de seu filho. Ou seja, da morte de Rita até a morte de Jane, Thelma se transformou numa serial killer num piscar de olhos.

Em seguida, veio mais um momento forçado, com o sequestro de Lurdes (Regina Casé). Toda o contexto envolvendo esta situação não faz muito sentido. Afinal, se Thelma teve sangue-frio para matar Jane, por que não fez o mesmo com Lurdes? Não era mais fácil se livrar da doméstica de uma vez, ao invés de mantê-la presa enquanto arruma um corpo qualquer para forjar a morte da amiga?

Ou seja, a necessidade de dar um desfecho à história em pouco mais de 20 capítulos acelerou Amor de Mãe de tal forma que a transformação de Thelma em assassina ficou muito mal resolvida. A sutileza deu espaço a uma série de situações atabalhoadas. Uma pena, já que a virada da personagem tinha tudo para ser um grande acontecimento da reta final.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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