A volta das novelas inéditas precisa acontecer tão depressa, em tempos de pandemia?

Equipes devem voltar aos estúdios em julho para que a exibição recomece algumas semanas depois

Publicado há 4 meses
Por Fábio Costa
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Desde o começo do período de isolamento social, recomendado pelas autoridades para conter o avanço do novo Coronavírus, em março, a suspensão das gravações das novelas levou as emissoras a usar de reprises para preencher a programação, especialmente os espaços da dramaturgia.

Como se sabe, na TV Globo Malhação – Transformação acabou adiada para 2021 e Malhação – Viva a Diferença está em reprise. Novo Mundo faz sala para sua sequência Nos Tempos do Imperador. Totalmente Demais ocupa a vaga de Salve-se Quem Puder. E Fina Estampa substitui Amor de Mãe.

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René (Dalton Vigh) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) de Fina Estampa (Divulgação – TV Globo)

Somadas ao Vale a Pena Ver de Novo, que apresenta Êta Mundo Bom!, são cinco reprises na grade de programação da emissora. Na Record TV, Amor Sem Igual deu lugar a Apocalipse, e Jesus ocupou o segundo horário noturno, que antes já abrigava um repeteco, o de O Rico e Lázaro.

No SBT, a boa frente de gravações fez com que As Aventuras de Poliana também tivesse seus trabalhos suspensos, mas os capítulos inéditos só terminarão no começo de julho, quando a faixa passa a abrigar uma reapresentação – promete-se que compacta – de Chiquititas.

Elenco infantil de Chiquititas (Divulgação / SBT)

Igualmente desde o começo “disso tudo” as emissoras quebram a cabeça para resolver o que e como fazer para retomar o quanto antes os trabalhos das novelas. Claro que dentro de todos os protocolos que garantam a segurança necessária para todos os profissionais envolvidos.

Fala-se que a TV Globo pretende retomar as gravações da novela das 21h em julho, para que capítulos inéditos da história escrita por Manuela Dias estejam no ar em agosto. Comercialmente, a prioridade é para esse horário.

Caso seja levado em conta o número de capítulos que falta para o desfecho da história, Amor de Mãe também ganha, já que basicamente o que Salve-se Quem Puder exibiu antes de ser suspensa, dois meses, é o que faltaria para que a novela das 21h terminasse.

Lurdes, de Amor de Mãe (Reprodução)

A cada dia surgem novas notícias sobre o assunto, diante da expectativa do público pela volta das novelas e pelas soluções que as emissoras eventualmente darão ao caso se não conseguirem fazer o que e como pretendem.

Como as indicações de distanciamento seguem em voga e também as recomendações de evitar aglomerações, toda a interação entre atores e núcleos, as trocas de roupa e outros detalhes, além do contato físico como beijos e abraços etc., tem que ser revista.

O impacto das mudanças leva a um novo planejamento das histórias, dos textos, do esquema de produção que uma novela mobiliza. Como fazer para que os personagens interajam, armem intrigas, flagrem uns aos outros, agridam-se, beijem-se, amem-se?

Luna (Juliana Paiva), Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada) de Salve-se Quem Puder (Divulgação/TV Globo)

Já pensando que talvez nesses termos não seja possível produzir seis capítulos convencionais por semana, caso a volta de Amor de Mãe se dê no prazo pensado hoje a TV Globo considera não exibi-la diariamente, alternando a novela em seu retorno com outro título de arquivo.

Não seria a primeira vez que duas novelas dividem o mesmo horário alternando os dias da semana: os primórdios da telenovela nos anos 1950 e 1960 foram nessas bases, e mesmo no rádio acontecia. No entanto, a prática é totalmente inusitada para a televisão à qual estamos habituados.

Vivemos um momento de exceção, para que se diga o mínimo. Embora haja quem negue o que se dá diante dos olhos de todo o mundo, com milhões de mortos em vários países, a pandemia do novo Coronavírus é uma realidade que demanda todos os esforços e cuidados para que possa ser controlada e eliminada.

De maneira que, apesar dos compromissos comerciais e artísticos da emissora para com seu público, ao querer oferecer-lhe o desfecho da novela que começou a exibir em novembro e já teria terminado em circunstâncias normais, talvez não seja o melhor momento de pensar em produção de capítulos inéditos da novela nossa de cada dia.

As atrações globais seguem sua trajetória sem maiores “retalhos” em seus capítulos. Fina Estampa é a mais “picotada”, mas desde o início no mesmo ritmo, mantendo coerência e lógica. Logo, se ela deve terminar bem antes das colegas de repeteco, deve ser a única a ser substituída em curto prazo.

As novelas podem esperar, e nós por elas, tranquilamente. O Vale a Pena Ver de Novo, o Canal Viva e as escolhas desses tempos de quarentena provam e comprovam que reprise não mata ninguém. Já essa doença ainda misteriosa, por mais que dela tanto se fale, mata e bastante.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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