A Força do Querer estreia com capítulo ágil e promessa de sucesso com o público

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Já faz um tempo que Glória Perez não consegue alavancar uma novela com a força de outras eras. A dificuldade não é medida somente em audiência pois essa sim vem sofrendo uma queda crônica independente de autor, mas sim de encontrar no texto da autora verossimilhança. Com a facilidade de se consumir produtos audiovisuais diversos, o telespectador tornou-se mais apurado e autocrítico tendendo a não aceitar facilmente tramas que pareçam repletas de fantasia e/ou acontecimentos incoerentes como em Salve Jorge.

A estreia de A Força do Querer nesta segunda-feira (03) tenta quebrar o ciclo de novelas escritas por Glória que pareçam exóticas ou sejam pautadas por uma cultura distinta da brasileira ainda que possua um toque de fantasia. Por falar em fantasia, nas versões modernas, sereias são retratadas como seres místicos que representam a luxúria, a vaidade e tentações, e durante alguns séculos seus contos foram usados como forma de catequese pelo cristianismo para personificar os pecados mortais. As sereias atraíam para o fundo do mar e dos rios os homens que ficavam enfeitiçados por sua beleza e tal lenda condiz exatamente com o enredo que serve como espinha dorsal da trama: o afogamento de Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) ainda crianças, por coincidência e destino sugados pelo rio e levados pela correnteza, e que posteriormente lutarão pelo amor de Ritinha (Isis Valverde) que acredita ser uma sereia.

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A direção artística de Rogério Gomes imprimiu uma estética caprichada às cenas iniciais, inclusive nas tomadas feitas a noite, mesmo que em algumas cenas houvesse um excesso de imagens em slow motion.

O tom do capítulo de estreia deixou nítida a impressão de que a experiência a frente de Dupla Identidade, fez com que Gloria Perez preparasse seu texto num formato semelhante ao de séries, com cenas ágeis e diferentes momentos de clímax. Outro ponto positivo do capítulo foi a trilha sonora incidental que marcou cada passagem de forma emocional mas sem exageros. Em alguns momentos, a trilha sonora deixou determinadas cenas monótonas.

Foi acertada a decisão de apresentar somente os principais enredos neste primeiro capítulo assim o público consegue absorver a história aos poucos e escolher com qual mais se identifica. Todo o enredo envolvendo Ivana, a personagem transsexual, foi mostrado de forma sensível e moderada, com uma atuação na medida certa de Carol Duarte. Palmas também para a atuação brilhante de Tonico Pereira na primeira fase da trama como Abel. A protagonista Ritinha (Isis Valverde) pôde ser vista apenas na última cena deixando um gostinho no telespectador aumentando a expectativa para o próximo capítulo.

A Força do Querer não tem grandes novidades, não tem enredo mirabolante mas também não chega a ser um novelão  no formato clássico como foi taxada A Lei do Amor. O primeiro capítulo mostrou uma trama instigante focada em relações interpessoais mas sem os clichês do gênero, com edição ágil, elenco afiado e a promessa de trazer de volta o público das novelas das 21 horas.

Ponto negativo: Cito como único ponto negativo da estreia a passagem de tempo não ter sido exibida no visual dos personagens que mesmo 20 anos depois continuam aparentemente idênticos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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