A Dona do Pedaço: segunda fase traz protagonista inspirada em Rainha da Sucata

Publicado há um ano
Por Fábio Costa
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As histórias são diferentes e as atrizes também. No entanto, Maria da Paz (Juliana Paes), protagonista de A Dona do Pedaço, apareceu na segunda fase da novela, que se iniciou no “capítulo especial” desta segunda, com um visual e uma postura que aludem em alguns pontos à Maria do Carmo (Regina Duarte) de Rainha da Sucata, escrita por Silvio de Abreu em 1990. A saber, a própria Juliana já falou a respeito dessa semelhança, e citou também a Viúva Porcina de Roque Santeiro (1985/86), outra personagem vivida por Regina.

Maria da Paz enriquece com sua grande aptidão para fazer bolos saborosos. Na novela de 1990, Maria do Carmo aprimorava o negócio iniciado pelo pai, Onofre (Lima Duarte), a partir do ofício de sucateiro, sem nenhum glamour. Mas que garantiu o sustento da família. Conscientemente ou não, a postura de Maria da Paz na nova fase e a de Maria do Carmo se dão em virtude da necessidade de enfrentar preconceitos. Além de inimigos (por vezes dentro do próprio seio familiar, ou do círculo de amigos próximos). E da necessidade de ser aceita por camadas da sociedade que veem a mulher humilde e de origem pobre antes da empreendedora bem-sucedida. Das cores fortes e das muitas joias, pode-se dizer que sejam mesmo ostentação de uma sensualidade que não é ignorada e de um dinheiro que possuem, apesar de toda a inveja que atraem.

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Na filha, uma diferença entre as Marias da Paz e do Carmo

Maria da Paz (Juliana Paes) e Josiane (Agatha Moreira) de A Dona do Pedaço (Divulgação/TV Globo)

Filha de Maria da Paz e Amadeu (Marcos Palmeira) em A Dona do Pedaço, Josiane (Agatha Moreira) não herdou o bom caráter e a personalidade dos pais. Ambiciosa e arrogante, a jovem sente vergonha da mãe, de seu jeito de ser e da origem que passa longe da aristocracia paulista. Ela não poupa críticas ao visual e aos modos da mãe, apontando seus excessos de maneira pouco sutil e até cruel. Outra novela, Vale Tudo (1988), também partiu de um embate moral entre uma mãe, Raquel (outra vez Regina Duarte), e sua filha, Maria de Fátima (Glória Pires). Sem falar em Verão 90, que tem muitos pontos alusivos a Vale Tudo.

Em Rainha da Sucata, Maria do Carmo também primava pelas escolhas excêntricas no guarda-roupa. Mas não tinha filhos para sentirem vergonha dela. Esse lado era representado pela união entre a próspera empresária e o playboy Eduardo Albuquerque Figueroa (Tony Ramos). Paixão de adolescência de Do Carmo, Edu se viu impelido a casar-se com ela para salvar-se da miséria. Sua família ia de mal a pior. A madrasta do rapaz, Laurinha Figueroa (Glória Menezes), sentia vergonha de ter que se relacionar com Do Carmo. No entanto, ela precisava tolerá-la. Além disso, a sucateira representava para ela também uma rival, já que Laurinha era apaixonada por Edu.

Vem por aí um casamento baseado no interesse e na ambição em A Dona do Pedaço

Régis (Reynaldo Gianecchini) e Josiane (Agatha Moreira) em A Dona do Pedaço (Divulgação/ TV Globo)

A trama de A Dona do Pedaço logo deve apresentar o casamento de Régis (Reynaldo Gianecchini) e Maria da Paz. Tudo orquestrado por Josiane. Ela se relaciona com Régis e dá a ideia dos dois se apossarem do patrimônio da mãe. Nos 20 anos que separam a primeira e a segunda fases, Maria da Paz ergueu um complexo de confeitarias. O que a alçara a outro patamar na sociedade. Embora more melhor e possa viver uma vida bem diferente daquela à qual sempre fora habituada, ela não deixou morrer dentro de si a humilde capixaba.

Só que Régis deve se apaixonar verdadeiramente por Maria da Paz. E se disporá a conquistá-la com sinceridade ante a perspectiva de perdê-la no caso da verdade vir à tona. E dela se unir novamente ao pai de Josiane, Amadeu. Guardadas as devidas proporções, aqui temos mais um ponto que alude à história de Rainha da Sucata. Um casamento sem amor que se converte em sentimento verdadeiro.

Claro que A Dona do Pedaço deve seguir outro rumo. Mesmo porque sua história é outra e totalmente diferente da de Rainha da Sucata. Ademais, falamos aqui de semelhanças nos perfis das protagonistas das duas novelas e da referência inegável. Senão para o autor e a diretora artística Amora Mautner, para Juliana Paes em sua interpretação. Com efeito, foram apenas algumas cenas. Mas já foi possível sentir um estranhamento em relação ao sotaque e aos modos mais “frescos” da protagonista.

*As informações e opiniões
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não refletir a opinião deste veículo.

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