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Valor da Vida é uma aposta arriscada para o horário nobre da Band

Escalada para substituir Ouro Verde, trama da TVI flerta com a ficção científica e foge à cartilha convencional da telenovela

Carolina Kasting e Nuno Pardal em cena de Valor da Vida (Reprodução / YouTube)
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As novelas portuguesas parecem ter vindo mesmo para ficar na grade noturna da Band. Apesar do desempenho mediano de Ouro Verde no Ibope, o canal do Morumbi está decidido a manter a parceria com a rede lusitana TVI e acaba de definir um novo título do catálogo além-mar para sua faixa de dramaturgia diária do horário nobre: Valor da Vida, produção de 2018 com um total de 203 capítulos.

Longe de surpreender, a escolha soa quase óbvia – são tantas as semelhanças entre Valor da Vida e Ouro Verde que a primeira se faz praticamente uma sucessora natural da segunda. Para começar, ambas histórias levam a assinatura da mesma escritora, Maria João Costa – aclamada como a ‘Glória Perez da terrinha’ pela imprensa local. A presença de nomes de certo de peso da dramaturgia brasileira é outro ponto em comum – ex-globais como Thiago Rodrigues, Carolina Kasting e Marcello Antony figuram entre os protagonistas da trama que desembarca por aqui em junho.

Uma grande distância, porém, se estabelece entre as duas produções quando nos detemos a comparar as sinopses de cada uma delas. Centrada na busca de José Maria Magalhães (Diogo Morgado) por vingança contra os assassinos de sua família – com direito a paixão proibida por Bia (Joana de Verona), filha de seu principal algoz –, Ouro Verde traduz-se, grosso modo, na telenovela na sua forma mais clássica de existir.

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Vamos agora a Valor da Vida. A história tem início quando a turista portuguesa Aisha (Isabela Valadeiro) depara-se, entre umas ruínas libanesas que está visitando, com a figura perdida e confusa de Artur (Rúben Gomes), homem desmemoriado sem qualquer lembrança do próprio passado. Com a ajuda das autoridades locais, ele descobre a própria identidade apenas para se envolver em um mistério ainda maior: Artur é um poderoso empresário que passou os últimos 20 anos desaparecido.

Dado como morto, ele surpreende a própria família ao regressar não apenas vivo, mas tão jovem como na última vez em que foi visto em sociedade. Como é possível Artur não ter envelhecido um único dia durante todo esse tempo? A busca por essas respostas levará o protagonista ao encontro de Isabel (Daniela Melchior), uma jovem de apenas 19 anos cujo rosto lhe traz uma inexplicável, mas profunda sensação de familiaridade – mais um dos mistérios que ele terá de desvendar sobre si.

Uma história instigante, com certeza, mas que remete muito mais ao universo do cinema e das séries de streaming que à por vezes engessada cartilha do folhetim diário. No histórico da Rede Globo, obras como Além do Horizonte (2013), Tempos Modernos (2010) e Negócio da China (2008) já se propuseram antes a romper os tabus impostos pelo gênero clássico, flertando com a ficção científica – e a maior parte delas resultou em retumbantes fracassos de público.

Num panorama como o atual, de crise na televisão brasileira – e em especial na própria emissora –, será mesmo o momento de a Band arriscar a relativa estabilidade conseguida através de Ouro Verde – que, bem ou mal, tem ao menos mantido os níveis de audiência de sua antecessora, a turca Minha Vida – para investir em um produto com temática tão fora convencional, junto a um público que, ao menos no Brasil, mostra-se tão conservador e aferrado ao ‘mais do mesmo’, como o da telenovela? O fato de Valor da Vida ter, em Portugal, se saído tão bem quanto a própria Ouro Verde será garantia de que o êxito dessa dobradinha se repetirá por aqui?

São algumas das questões que os irmãos Saad devem ter em mente antes de dar o parecer final a respeito de sua próxima novela. Afinal, uma escolha em um momento tão crítico pode significar o abreviamento de uma parceria que tem tudo para dar certo a longo prazo, desde que conduzida com a devida cautela.

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