Reprise reafirma a força da trama de Avenida Brasil

Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil
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Avenida Brasil foi um grande sucesso do horário das nove da Globo em 2012. Na época, especialistas explicavam que o fenômeno se devia, sobretudo, ao bom retrato do Brasil criado pelo novelista João Emanuel Carneiro. A novela dá protagonismo a pessoas que ascenderam socialmente. Os heróis vivem num bairro popular, enquanto o núcleo cômico acontece na Zona Sul carioca, algo conectado com a boa fase econômica do Brasil naquela época. Porém, a atual reprise no Vale a Pena Ver de Novo mostra que, além de bastante conectada com seu tempo, Avenida Brasil tem uma história magnética, que funciona em qualquer época.

Na verdade, colocar a trama central no bairro popular e o núcleo cômico no bairro rico é apenas uma das subversões propostas pelo autor João Emanuel Carneiro. Além disso, o autor também subverte na maneira como leva Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves), suas protagonistas. Apesar de recorrer à velha história de vingança, há uma inversão de papéis neste contexto que faz toda a diferença.

Durante grande parte de Avenida Brasil, é Nina, a mocinha, quem engana Carminha, a vilã. Tradicionalmente, é o contrário. A heroína, normalmente, é sempre ingênua e se deixa levar pela lábia da vilã. Aqui, não. É Nina quem engana Carminha, ao conquistar sua confiança e se transformar na confidente da malvada. Carminha é uma vilã esperta, mas acaba se deixando levar pelas armações de Nina. Parece algo simples, mas é esta inversão que dá o charme de Avenida Brasil.

Folhetim

Mas João Emanuel Carneiro não reinventou a roda. Apesar de inverter os papéis tradicionais na condução da mocinha e da vilã, o autor não chega a fugir do folhetim tradicional. Pelo contrário. Desde o começo, o público sabe quem é quem neste jogo. Além disso, Avenida Brasil resgatou outros elementos clássicos do folhetim que estavam em baixa na época de sua exibição. O autor abusou de recursos infalíveis, como os poderosos ganchos a cada fim de bloco e a cada fim de capítulo.

É esta capacidade de contar uma história clássica, com recursos clássicos, mas com um verniz diferente, que transformou Avenida Brasil num clássico recente. A trama estava, sim, conectada com seu tempo. Mas ela é muito maior que seu contexto histórico, e a reprise atual mostra isso. O magnetismo de Carminha e Nina transcende o momento social daquela época.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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